13 DIAS 13 NOITES: o resgate de Cabul
Cinco anos após a mais recente tomada de poder pelos talibãs no Afeganistão, Martin Bourboulon recria a operação de resgate conduzida a partir da embaixada francesa em Cabul.
O filme “13 Dias 13 Noites” recria um acontecimento real durante a retirada das tropas americanas e a queda de Cabul nas mãos dos talibãs a 15 de agosto de 2021.
A embaixada de França, na capital do Afeganistão, é um dos últimos redutos de resistência.
Na época, a notícia impressionou Martin Bourboulon, que estava longe de imaginar que iria realizar um filme sobre o sucedido:
Foi em agosto de 2021, estávamos de férias em Paris. Estava a filmar “Os Três Mosquiteiros” e lembro-me muito bem. Ficámos muito chocados com o que estávamos a ver. Estávamos no nosso país, em segurança. É sempre estranho quando estamos protegidos e vemos pessoas a sofrer tanto num país longínquo.

O cineasta sentiu vontade de realizar o filme após ler “13 Dias 13 Noites no Inferno de Cabul”. O livro é o testemunho na primeira pessoa do comandante Mohamed Bida, o polícia francês que coordenou a operação de evacuação da Embaixada de França que salvou centenas de afegãos em agosto de 2021:
Quando li o livro pela primeira vez, fiquei muito impressionado com a história e o tema. Por um lado, uma história muito forte sobre a evacuação, o lado muito emocionante da ação e da forma como a equipa francesa conseguiu organizar tudo. Havia também um tema fascinante sobre o desenraizamento forçado de um povo que se viu obrigado a fugir de um país que não queria abandonar. Foram obrigados a partir. Era um tema bastante forte, por isso, interessava-me contá-lo.
Quando leu o livro e durante a escrita do argumento de “13 Dias 13 Noites”, Bourboulon pensou no ator Roschdy Zem para interpretar o papel de Mohamed Bidah. O realizador francês contou mesmo com a colaboração do comandante da polícia durante as filmagens:
Quando começámos a trabalhar no enredo e na escrita, ele partilhou as suas experiências e isso ajudou-nos imenso. Contou-nos alguns detalhes visuais, como era embaixada, como estava organizada, o que a rodeava. Também nos contou o que tinha acontecido antes de 15 de agosto, antes de tudo acontecer.
Ele estava lá desde 2016, por isso foi também muito marcante ter acesso a todos os seus sentimentos, a toda a sua experiência. Foi muito interessante, foi uma colaboração muito enriquecedora. Ajudou-nos imenso. Esteve nas filmagens, mostrei-lhe o filme no mesmo dia que mostrei ao ator que o interpretava no cinema. Foi muito emocionante mostrá-lo nesse dia. Foi uma colaboração muito bonita, baseada na confiança. Gostei muito disso.

As personagens inspiram-se em pessoas reais e o elenco integra atores afegãos. As filmagens foram em Marrocos com os locais de ação recriados em Casablanca.
Depois de assinar filmes como “Tal Pai, Tal Mãe”, “Eiffel” e “Os Três Mosquiteiros”, Martin Bourboulon lança-se na realização de “13 dias, 13 noites”. O cineasta considera uma obrigação do mundo ocidental ser um defensor da paz:
Acho que é importante que países livres, como os nossos, países onde reina a paz, não se esqueçam da desgraça e da tristeza em que alguns povos vivem. De facto, saber que a Embaixada de França, naquele momento, decidiu acolher e abrir as portas a um povo que está a sofrer, acho que foi bom contar isso. Pareceu-me importante contá-lo e gostei de o contar. Motivou-me muito a contar essa história. O problema é que a história se repete, infelizmente. Não cessa de se repetir, apesar de terem ocorrido tragédias que nos podiam ter levado a pensar que era preciso parar. Porém, o que aconteceu nessa história repete-se no mundo e é doloroso, é triste.
“13 dias, 13 noites” é um drama baseado numa história verídica, um exemplo contemporâneo de solidariedade e de luta pela paz. Estreia esta semana nas salas de cinema portuguesas.