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09 Set 2026

Muitas pessoas tinham demasiado medo para falar publicamente sobre Elon Musk, afirmou o realizador Alex Gibney na terça-feira, ao apresentar o seu longo documentário sobre o empresário no Festival de Cinema de Veneza.

Com quase quatro horas de duração, o filme acompanha a ascensão de Musk desde a era das empresas dotcom até se tornar uma das figuras mais influentes do mundo, questionando como um magnata da tecnologia não eleito consegue exercer tanta influência sobre a política e o debate público.

“Havia um enorme medo de falar, um medo quase existencial, tanto entre os seus críticos como entre os seus colegas de negócios e os seus amigos”, afirmou Gibney antes da projecção de “Musk”.

“Falei com muitas, muitas, muitas, muitas pessoas que, à excepção de algumas das corajosas que estão aqui, recusaram falar.”

O responsável da Tesla e da SpaceX rejeitou o filme, escrevendo este mês na sua rede social X que Gibney era tendencioso e que iria “obviamente fazer o mais convincente ataque contra mim que conseguir imaginar”.

Acompanhado pela jornalista Zoë Schiffer e por Ashley St. Clair, antiga companheira de Musk e mãe de um dos seus muitos filhos, Gibney contou que começou a trabalhar no projecto em 2023 e que inicialmente tinha previsto um filme menos ambicioso.

“Tínhamos a intenção de fazer um filme mais curto antes de Elon Musk se envolver na carreira de Donald Trump e na presidência dos Estados Unidos”, afirmou, acrescentando que a primeira coisa que fez foi contactar Musk, que recusou ser entrevistado.

Gibney, que anteriormente abordou temas como o colapso da empresa energética Enron e a Cientologia, afirmou que a ascensão de Musk era “a história de um vigarista”, cujo império foi construído graças à capacidade de vender visões exageradas e promessas grandiosas.

Sem apresentar necessariamente revelações bombásticas, o filme relaciona a aquisição do Twitter por Musk, a sua campanha de redução de custos na administração norte-americana e a dependência de contratos federais com a concentração de um poder e de uma riqueza sem precedentes nas mãos de um único homem.

O documentário utiliza uma versão de Musk criada por inteligência artificial, que reproduz palavras proferidas pelo empresário ao longo dos anos. Questionado sobre a possibilidade de enfrentar processos judiciais, Gibney respondeu: “Consultámos os nossos advogados e eles deram-nos autorização para avançar.”

Depois de aderir ao movimento MAGA, de Donald Trump, o filme mostra o crescente apoio de Musk a causas políticas de extrema-direita a nível internacional, incluindo o partido alemão Alternativa para a Alemanha (AfD).

“Penso que ele está a seguir uma agenda global de direita, tanto por razões ideológicas como por razões muito práticas e financeiras”, afirmou Gibney, acrescentando que Musk é “extremamente” perigoso para a democracia mundial.

O realizador também fez uma avaliação pouco lisonjeira do carácter do empresário. “Diria que ele tem muita dificuldade em sentir empatia”, afirmou.

Ashley St. Clair, que revelou no documentário ter recusado um acordo de confidencialidade no valor de 40 milhões de dólares depois do fim da relação com Musk, reforçou a crítica. “A relação mais complicada que ele tem é com a verdade”, afirmou. No filme, diz simplesmente: “O Elon é uma arma nuclear.”

“Musk” é exibido fora de competição no Festival de Veneza, que decorre até 12 de setembro.

Foto: Andrea Avezzù – Courtesia do Archivio Storico La Biennale di Venezia

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 09 de Setembro de 2026, 09:13

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