8 Set 2015 21:29

O poder dos EUA enquanto produtor e consumidor de cinema continua a marcar o ritmo dos lançamentos mundiais apesar do peso cada vez maior da China e do seu singular e pouco transparente mercado. Por isso, na indústria cinematográfica, o verão começa em maio e termina na primeira semana de setembro, por alturas do feriado norte-americano do Labour Day.

Nos EUA e Canadá, a temporada rendeu 4,36 mil milhões de dólares, 7% mais do que em 2014, que tinha sido o pior em sete anos.

Por outro lado, estima-se que o número de espectadores tenha descido para 505,7 milhões – menos três milhões do que no ano passado. A aparente contradição é explicada pelo aumento no preço médio dos bilhetes, um recurso que tem permitido manter o fluxo de dinheiro em Hollywood.

Dois estúdios, Universal e Disney, captaram 60% das receitas obtidas nestes meses com oito filmes entre os 12 mais vistos.

O sucesso da Universal foi ancorado nos êxitos de "Mundo Jurássico" e "Mínimos". Só "Ted 2" falhou nas contas do estúdio.

A Disney contou com "Vingadores: A Era de Ultron" e "Divertida-mente". O "Homem-Formiga" não correu bem, mas livrou-se do carimbo de desgraça no box office graças aos bons resultados na Ásia. Só "Tomorrowland" entrou na categoria dos flops e ficou como um dos grandes fracassos de bilheteira deste verão.

Na Warner Bros., "San Andreas" dará algum lucro, possivelmente mais do que o muito elogiado "Mad Max: Estrada de Fúria". Quanto ao resto, a casa de Bugs Bunny juntou uma série de resultados entre o mediano e o mau: as comédias "Perseguição Escaldante", "Entourage" e "Férias", apesar de serem produções de valor médio (30-35 milhões de dólares) e menor risco, não conseguiram resultados por aí além, e os primeiros números de "O Agente da UNCLE" dão a entender que está ali mais um fracasso de bilheteira.

A 20th Century Fox só na ausência de melhor pode chamar a "Spy" um sucesso de verão, mas a verdade é que nada lhes correu bem. Para lá do desastre de "O Quarteto Fantástico", que incluiu o realizador a renegar o seu próprio filme na véspera da estreia, "Poltergeist", "Cidades de Papel" e "Hitman" tiveram carreiras discretas.

À Paramount faltaram-lhe filmes. Estreou apenas "Terminator: Genisys" e "Missão Impossível: Nação Secreta". O filme com Arnold Schwarzenegger teve um mau desempenho na América do Norte, mas emendou a mão com bons resultados no resto do mundo, sobretudo na China. O quinto "Missão Impossível", ficou abaixo dos maiores sucessos da série, mas não desapontou.

Resta a Sony, ainda em período de reorganização após importantes mudanças nas chefias. "Aloha", "Ricki e os Flash", "Pixels". Três lançamentos, uma comédia romântica, um drama familiar e uma grande produção com Adam Sandler. Outros tantos falhanços de bilheteira. Há muito espaço para melhorar em Culver City.


Em resumo:
pela primeira vez, três lançamentos de verão passaram os mil milhões de dólares em receita de bilheteira mundial: "Mínimos", "Mundo Jurássico" e "Vingadores: A Era de Ultron", os grandes sucessos do verão 2015. Maiores fracassos: "Tomorrowland" e "O Quarteto Fantástico".

Este foi também o verão em que os estúdios atribuíram maior relevância às redes sociais e aos agregadores de críticas. A presidente da Paramount para as áreas da distribuição e do marketing, Megan Colligan, citada pelo The Hollywood Reporter, crê que a temporada foi "completamente formatada pelas críticas e pelo passa-palavra" e refere com algum humor que "até na mercearia ouvi pessoas a falar sobre o Rotten Tomatoes".

O mais conhecido agregador de críticas norte-americano reúne opiniões de dezenas de críticos de língua inglesa e transforma-as em tendências sob a forma de percentagens dando aos visitantes (que também podem classificar o filme numa tabela separada) informação imediata e simplista sobre a qualidade de um filme.

Estas mudanças na formação das opiniões do público leva-nos a outro problema que esteve em foco durante estes meses. Habituadas a estabelecer estimativas de receitas com base em estúdios prévios, as majors deram por si a falharem consecutivamente nas previsões.

Nicholas Carpou, que lidera a distribuição norte-americana da Universal diz que chegámos a ponto em que "o tracking tradicional deixou conseguir dar todas as respostas, por causa do passa-palavra". O seu congénere da FOX acrescenta que "estamos a assistir a estas grandes variações por causa do imediatismo da media social. Temos de re-examinar a metodologia".

Entre estas mudanças e tomadas de consciência por parte dos grandes estúdios, existem outros desafios para os próximos meses.

Além da entrada da Netflix na produção de filmes para estreia simultânea em cinema e na Internet – "Beasts of No Nation" teve apresentação mundial em Veneza – a Paramount parece ter conseguido abrir uma brecha na resistência coletiva dos exibidores às alterações nas janelas de lançamento.

Habitualmente, os distribuidores respeitam um intervalo de 90 dias entre a estreia em sala de cinema e o lançamento nas restantes plataformas – DVD, VOD, ou streaming. No caso de dois filmes de terror previstos para os próximos meses, a Paramount convenceu a AMC (um dos maiores exibidores nos EUA) a reduzir essa janela para apenas 17 dias. Conseguiu-o com uma atitude muito simples: passou a incluir o exibidor na repartição dos lucros obtidos em suporte digital.

  • cinemaxeditor
  • 8 Set 2015 21:29

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