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Os cinemas norte-americanos estão a terminar o melhor verão desde a pandemia, graças a uma combinação de lançamentos diversificados que voltou a atrair o público às salas. Pelas bilheteiras dos EUA e Canadá passaram 4,6 mil milhões de dólares entre o primeiro fim de semana de maio e 30 de agosto, segundo a empresa de medição Rentrak. Uma subida de 26% em relação ao verão passado, impulsionada por filmes como “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, “A Odisseia” e “Toy Story 5”.

Os analistas estimam que a bilheteira final de 2026 poderá ultrapassar os 10 mil milhões de dólares.

A temporada do verão norte-americano, que termina oficialmente no Dia do Trabalhador, a 7 de setembro, deverá ficar aquém do recorde de 6,8 mil milhões de dólares, ajustado à inflação, alcançado em 2013, quando filmes como “Homem de Ferro 3” e “Gru — O Maldisposto 2” conquistaram o público. O número de espectadores continua, ainda assim, muito abaixo dos níveis anteriores à pandemia. De acordo com números da S&P Global publicados na imprensa dos EUA, até meados de agosto de 2019, os cinemas tinham vendido 795,9 milhões de bilhetes no mercado norte-americano. No mesmo período, este ano, o número ficou-se pelos 547,1 milhões.

Ainda assim, este verão, as salas de cinema pareceram oferecer opções para todos os gostos.

Dois filmes de terror produzidos com baixos orçamentos e realizados por cineastas que começaram no YouTube — “Backrooms” e “Obsession” — atraíram um número sem precedentes de espectadores mais jovens. “Michael”, “O Diabo Veste Prada 2” e “Scary Movie” levaram as mulheres de volta às salas em força, enquanto os homens se reconheceu nos problemas de isolamento de Peter Parker em “Homem-Aranha”.

“Estamos a ver literalmente todas as faixas etárias e todos os grupos demográficos nas salas de cinema”, afirmou Jim Orr, presidente da distribuição cinematográfica da Universal Pictures.

A indústria cinematográfica parece estar a recuperar algum equilíbrio após as perturbações provocadas pela pandemia de Covid-19 e pelas greves simultâneas dos argumentistas e dos actores, em 2023. “O impacto das greves nos estúdios foi mais duradouro do que as pessoas perceberam”, explica Michael O’Leary, da associação Cinema United, que representa os proprietários de salas. “Só no último ano é que os estúdios começaram a recuperar o ritmo.”

Filmes como “A Odisseia”, de Christopher Nolan, também despertaram o interesse pela película de 70 milímetros, contribuindo para um verão de receitas recorde para a IMAX. “O sucesso mudou a perceção sobre aquilo que pode resultar em IMAX junto de praticamente todos os públicos”, afirmou Richard Gelfond, diretor executivo da IMAX.

A produção continua, contudo, abaixo dos níveis anteriores. Os estúdios lançaram 34 filmes em distribuição alargada durante o verão, mais dois do que em 2025, mas ainda abaixo dos 44 filmes distribuídos de forma abrangente em 2019.

Os espectadores mostraram maior vontade de ver filmes no fim de semana de estreia, segundo inquéritos realizados pela empresa de estudos de mercado Enact Insight. Hollywood terá apostado mais em histórias originais, em vez de depender exclusivamente de personagens e universos conhecidos e de continuações, uma estratégia de menor risco utilizada há vários anos.

“Hollywood transformou-se numa fábrica de sequelas e de propriedade intelectual”, afirmou Greg Durkin, fundador e diretor executivo da Enact Insight, numa tentativa de limitar o risco associado ao financiamento de filmes de grande orçamento. Segundo Durkin, a forma certa de cortar no risco de um desastre de bilheteira passa por construir uma carteira diversificada e assumir alguma audácia em termos criativos.

Essa diversidade de propostas deu resultados, sobretudo entre espectadores no final dos 20 e no início dos 30 anos — um grupo demográfico que os responsáveis da indústria chegaram a recear que nunca adquirisse hábitos de ida ao cinema, preferindo o streaming e as redes sociais.

Tim Richards, fundador e diretor executivo da cadeia de cinemas Vue, diz que a maior variedade de filmes funciona. “Muitas pessoas tinham dado a Geração Z como perdida, dizendo que não estava interessada, e agora está a regressar em números recorde”, afirmou. “É um fenómeno global e tem sido muito encorajador, porque esse é o nosso público do futuro.”

Paul Dergarabedian, responsável pelas tendências de mercado da Rentrak, afirmou que o impulso do verão poderá prolongar-se até ao final do ano, quando dois filmes muito aguardados, “Avengers: Doomsday” e “Dune: Part Three”, chegarem aos cinemas. O analista prevê que a bilheteira doméstica possa atingir os 10 mil milhões de dólares este ano — marca que não é ultrapassada desde 2019.

  • CINEMAX - RTP c/ agências
  • 04 de Setembro de 2026, 17:19

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