Biografia de Michael Jackson bate recordes de bilheteira apesar de críticas negativas
Filme sobre o Rei da Pop alcança 217 milhões de dólares na estreia, enquanto familiares e vítimas de abuso divergem sobre a veracidade do enredo.
O filme “Michael”, a biografia para cinema autorizada pelos herdeiros de Michael Jackson, atingiu um sucesso comercial sem precedentes no primeiro fim de semana de exibição as salas. Arrecadou 217,4 milhões de dólares mundialmente, um novo recorde para o género muito em voga das biografias de estrelas da música popular.
Só nos Estados Unidos e Canadá, a obra somou 97 milhões de dólares, pulverizando os números de lançamentos como “Straight Outta Compton” e “Bohemian Rhapsody”. Adam Fogelson, presidente da Lionsgate, confirmou que a resposta do público superou todas as projeções, apesar do orçamento a rondar os 200 milhões de dólares.
A receção comercial entusiástica não impediu, contudo, uma vaga de críticas negativas. O filme é acusado de branquear o passado do artista, omitindo a disformia corporal, o consumo de substâncias e, principalmente, as alegações de abuso sexual de menores.
James Safechuck, um dos rostos do documentário “Leaving Neverland”, descreveu o lançamento como um gatilho traumático para sobreviventes, lamentando que o entretenimento ignore a dor das vítimas em prol da celebração de um ídolo. Dan Reed, realizador do referido documentário, questionou publicamente a autenticidade de uma história que ignora as graves acusações que marcaram as últimas décadas da vida de Jackson.
No seio da família do cantor, o filme gerou reações antagónicas. Taj Jackson, sobrinho, utilizou as redes sociais para atacar a comunicação social, afirmando que os jornalistas já não controlam a narrativa e que os críticos terão de se retratar perante a reação do público. No mesmo sentido, TJ Jackson manifestou orgulho na obra e defendeu que o seu tio merece a homenagem.
Colman Domingo, que dá vida ao patriarca Joe Jackson, reforçou esta visão ao explicar que o filme termina propositadamente em 1988, antes das primeiras denúncias públicas, focando-se apenas na ascensão artística através dos olhos do protagonista.
Em contraste, figuras mais próximas do cantor mostram-se céticas ou distantes. Paris Jackson, filha de Michael, foi clara ao afirmar que não teve qualquer envolvimento na produção. A modelo revelou ter lido as primeiras versões do argumento e apontado diversas imprecisões que nunca foram corrigidas, levando-a a afastar-se do projeto por considerar que a narrativa mentia para agradar a uma fatia específica de seguidores que vivem numa fantasia.
Janet Jackson, irmã do artista, também recusou qualquer participação, tendo declinado o convite para estar presente na estreia mundial.
O filme enfrentou uma produção caótica, com os herdeiros a terem de financiar cerca de 50 milhões de dólares em refilmagens para eliminar cenas que mencionavam o caso Jordan Chandler, devido a restrições legais de um acordo judicial de 1994.