Cannes 2017: organização desmente saída dos filmes da Netflix
A Netflix fica, mas as regras mudam a partir da próxima edição.
O mau estar existe, mas a organização do Festival de Cannes desmentiu hoje, em comunicado, os rumores de que os filmes da Netflix seriam retirados da selecção oficial de 2017. Apesar disso, apressou-se a mudar as regras de acesso para o próximo ano.
Em causa estão as longas-metragens "Okja", do sul-coreano Bong Joon Ho, e "The Meyerowitz Stories", do norte-americano Noah Baumbach, duas produções maioritariamente financiadas pela plataforma de conteúdos online.
O Festival de Cannes declara-se "consciente da ansiedade provocada pelo facto de estes filmes não estrearem nas salas francesas" e acrescenta que pediu "em vão" à Netflix para mudar a sua estratégia e lançar as obras também no circuito tradicional.
Os organizadores reiteram o apoio aos moldes de distribuição e exibição em sala de cinema e, apesar de considerarem positiva a existência do novo operador, decidiram que, a partir de 2018, "qualquer filme que deseje competir em Cannes terá de se comprometer a ser exibido nas salas francesas."
Não foram adiantados detalhes sobre o número de cinemas, durante quanto tempo os filmes terão de ser exibidos, ou se existirá alguma obrigatoriedade em termos geográficos.
Os exibidores de cinema franceses protestaram contra a presença da Netflix logo após o anúncio da selecção oficial da edição deste ano, a 13 de abril, exigindo a distribuição de "Okja", e "The Meyerowitz Stories" em sala e acusando os norte-americanos de "fugirem às regulamentações e obrigações fiscais" do país.
A 70ª edição do Festival de Cannes tem lugar de 17 a 28 de maio.
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