Saltar para o conteúdo principal

30 Out 2026

A procura pelo irmão mais novo, raptado por um bando de corvos, leva uma jovem a entrar numa floresta encantada, habitada por animais falantes e seres humanos, onde se prepara uma guerra que determinará o destino de todos. É assim que começa o conto infantil “Floresta Mágica”, que estreia este fim de semana nos cinema portugueses.

Produzido pelo estúdio de animação em stop-motion Laika, o filme demorou 16 anos a chegar ao grande ecrã.

“Este filme existe porque centenas de pessoas dedicaram anos das suas vidas a tentar contar a melhor história possível, usando as mãos e a imaginação”, explica à AFP o realizador, Travis Knight.

“É algo que os computadores não conseguem fazer”, considera o norte-americano, que também dirige o estúdio Laika, conhecido, entre outros trabalhos, pelo filme de animação “Coraline”.

Numa altura em que a indústria recorre cada vez mais à inteligência artificial, “Floresta Mágica” assenta inteiramente no trabalho artesanal da animação em stop-motion, uma técnica que consiste em fotografar a acção fotograma a fotograma.

“É uma celebração da humanidade, porque aquilo que vemos neste filme é criatividade, arte e esforço humano em grande escala”, sublinha Knight, cujo pai, Phil Knight, foi um dos fundadores da marca de equipamento desportivo Nike.

Para o cineasta, os computadores conseguem imitar as experiências humanas, mas só os seres humanos podem falar das emoções “de forma autêntica e significativa”. Afinal, os computadores “nunca sentiram alegria, nunca se apaixonaram, nunca sofreram por amor”, salienta.

“Floresta Mágica” acompanha a protagonista, Prue McKeel, na tentativa de salvar o irmão mais novo, levado por corvos para o coração de uma floresta encantada do Oregon, no oeste dos Estados Unidos. Nesse bosque, escondido dos olhos dos mortais, a jovem descobre, juntamente com o amigo Curtis, um universo fantástico onde a ambição e o luto alimentam um conflito iminente.

“É uma grande história de fantasia épica”, comenta Knight. “Mas também explora temas maduros e emoções profundas.”

Peyton Elizabeth Lee, actriz que dá voz a Prue na versão norte-americana, identificou-se com o percurso da adolescente. “Não entrei numa floresta mágica”, brinca. “Mas vivi algo semelhante à experiência de ser jovem e sentir-se muito madura, muito adulta, acreditando ter uma compreensão sólida do mundo e da realidade, até que, de repente, tudo isso é posto em causa e temos de reconsiderar tudo.”

Jacob Tremblay, que dá voz a Curtis, também se identificou com a personagem, que procura encontrar na vida real a coragem dos heróis das suas bandas desenhadas.

Para dar forma às personagens, o estúdio filmou os gestos e movimentos dos actores enquanto estes liam as falas no estúdio de gravação, utilizando depois as suas expressões faciais no processo de animação.

A equipa técnica do filme está particularmente orgulhosa dos resultados alcançados na criação das expressões das personagens.

“Cada filme que realizámos foi uma etapa de investigação e desenvolvimento para o seguinte”, explica Brad Schiff, supervisor de animação da Laika. Segundo o responsável, há apenas alguns anos as subtilezas das interpretações em “Floresta Mágica” ainda estavam fora do alcance da equipa.

Inspirado num romance de Colin Meloy, o filme é também uma homenagem a Portland, cidade do Oregon onde se situa o estúdio e onde vive Knight.

“É um lugar muito específico”, observa o realizador. “Mas descobri que, quanto mais específica e íntima é uma obra, mais universal acaba por se tornar.”

  • CINEMAX RTP c/AFP
  • 30 de Outubro de 2026, 10:15

+ conteúdos