Saltar para o conteúdo principal

03 Set 2026

As irmãs Rooney e Kate Mara afirmaram que anos de experiências partilhadas as ajudaram a dominar um desafio de interpretação invulgar: falar em perfeita sintonia no filme “Bucking Fastard”, de Werner Herzog, que estreou quinta-feira na competição do Festival de Cinema de Veneza.

No filme, inspirado na história real de duas gémeas britânicas, as irmãs Mara interpretam Jean e Joan Holbrooke, cuja extraordinária proximidade faz com que falem em perfeita sincronia, tenham os mesmos sonhos e se apaixonem pelo mesmo homem.

É a primeira vez que as duas atrizes contracenam no grande ecrã.

“Estavam previstas duas semanas de ensaios e eu e a Kate já estávamos juntas antes disso porque estávamos bastante nervosas”, disse Rooney Mara à Reuters. Porém, Herzog ficou tão impressionado com o que viu que reduziu o período de ensaios a apenas cinco dias.

“Disse: ‘Chega. Estou completamente convencido de que vai ser maravilhoso. Parem com isto, calem-se, encontramo-nos na Irlanda em frente à minha câmara'”, contou Herzog durante o encontro com a imprensa no festival italiano. “É algo sem precedentes. Nunca vimos nada semelhante na história do cinema e duvido que voltemos a ver algo assim num futuro próximo”, acrescentou.

Rooney Mara, conhecida sobretudo pelos papéis em “A Rede Social” e “Millennium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres”, afirmou que o tempo passado com a irmã lhes proporcionou uma cumplicidade imediata que surgiu de forma natural diante das câmaras. “Havia um mundo não verbal entre nós que não tivemos de nos esforçar muito para criar. Nunca me ri tanto, foi uma experiência única na vida, verdadeiramente singular.”

Kate Mara, que participou em “House of Cards” e “24”, afirmou que falar em sincronização “era quase como cantar”.

O filme mostra as irmãs a apaixonarem-se pelo mesmo homem, interpretado por Orlando Bloom. Quando ele as abandona por outra mulher, vê-se obrigado a obter uma ordem de restrição para se proteger da fúria de ambas.

Bloom disse à Reuters que contracenar com as irmãs Mara foi desconcertante. “Era quase como se respirassem juntas, sonhassem juntas, amassem juntas, pensassem juntas”, afirmou. “O filme parece um poema e elas eram o centro de tudo aquilo que nos deixava maravilhados.”

Herzog conhece bem Veneza. O aclamado realizador alemão, cuja filmografia inclui “Aguirre, a Cólera dos Deuses”, “Fitzcarraldo” e “Grizzly Man”, estreou “Grito de Pedra” no festival em 1991 e regressou várias vezes desde então, tanto com filmes de ficção como com documentários.

“Bucking Fastard” é um dos 21 filmes que competem pelo Leão de Ouro de Veneza, que será atribuído a 12 de setembro.

Foto: Aleksander Kalka / cortesia do Archivio Storico La Biennale di Venezia

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 03 de Setembro de 2026, 16:02

+ conteúdos