Isabelle Huppert eleita presidente da Cinemateca Francesa
Será a primeira mulher na presidência desta instituição de referência da cinefilia a nível mundial.
A atriz Isabelle Huppert foi eleita para um mandato de três anos como presidente da Cinemateca Francesa, sucedendo ao realizador Costa-Gavras que ocupava o lugar desde 2007.
Vencedora de dois prémios César Awards, por “La Cérémonie”, em 1996, e “Elle”, em 2017, Huppert participou em mais de 150 filmes e séries e integra o restrito grupo de atrizes francesas com verdadeiro reconhecimento internacional.
Em França, trabalhou com alguns dos maiores realizadores do país, entre os quais Claude Chabrol e Maurice Pialat. No estrangeiro, foi dirigida pelo austríaco Michael Haneke, pelos norte-americanos Michael Cimino e Otto Preminger, pelos italianos Marco Bellocchio e Marco Ferreri, pelo polaco Andrzej Wajda e pelo sul-coreano Hong Sang-soo.
Primeira mulher na presidência da Cinemateca Francesa, Huppert terá como missão defender a memória do cinema de autor e do cinema popular no seio desta instituição de referência da cinefilia mundial, fundada em 1936 por Henri Langlois, pelo realizador Georges Franju, pelo historiador e teórico de cinema Jean Mitry, e por Paul Auguste Harlé, mecenas e primeiro presidente.
Langlois é geralmente considerado o verdadeiro criador e a alma da Cinemateca Francesa, atualmente instalada no bairro de Bercy, em Paris. A partir da década de 1930, Langlois dedicou-se a recolher e preservar cópias de filmes que arriscavam desaparecer, numa época em que o cinema ainda não era amplamente encarado como património cultural. Sob a sua direção, a instituição tornou-se uma das mais importantes cinematecas do mundo e exerceu uma influência decisiva sobre a geração da Nouvelle Vague, com cineastas como François Truffaut, Jean-Luc Godard e Jacques Rivette, que ali descobriram grande parte da história do cinema.
Hoje, a Cinemateca Francesa conserva cerca de 50 mil filmes do património cinematográfico, quase um milhão de documentos relacionados com o cinema e milhares de aparelhos e equipamentos históricos. Financiada em cerca de três quartos por subsídios públicos, a associação organiza regularmente retrospetivas dedicadas a atores e realizadores, bem como exposições, como a recentemente consagrada a Marilyn Monroe.
A instituição foi igualmente abalada por várias polémicas nos últimos anos, em particular relacionadas com a vaga do movimento #MeToo e a violência sexual na indústria cinematográfica. Também a programação de “O Último Tango em Paris”, no final de 2024, desencadeou forte controvérsia devido a uma cena de violação filmada sem o consentimento da atriz Maria Schneider, levando à retirada do filme da programação. Em fevereiro de 2025, a Cinemateca foi também criticada pelo Tribunal de Contas francês, que apontou falhas na gestão, considerando que esta não permitia atingir os objetivos de preservação do património cinematográfico e de divulgação junto do público.
Apesar dos problemas, a Cinemateca Francesa deverá abrir uma delegação em Marselha no início do próximo ano, no bairro conhecido como Les Crottes, onde cresceu o ator francês Yves Montand.