Jane Schoenbrun reinventa o terror “slasher” em “Teenage Sex and Death at Camp Miasma”
Interpretado por Gillian Anderson e Hannah Einbinder, o filme de abertura da secção Un Certain Regard desafia as convenções do popular subgénero do cinema de terror.
O novo filme de terror da realizadora norte-americana Jane Schoenbrun, “Teenage Sex and Death at Camp Miasma”, nasceu do desejo de reinventar um género adorado por muitos, apesar dos seus aspetos problemáticos, explicou a cineasta antes da estreia na sessão que abriu o programa Un Certain Regard, no Festival de Cannes.
Alguns filmes de terror, incluindo o subgénero slasher popularizado por “Halloween”, têm sido criticados por transfobia, ao associarem a não conformidade de género à doença mental, ou ao perigo, utilizando-a como fonte de choque, ou medo. Entre os exemplos frequentemente apontados estão as personagens de Norman Bates, de “Psycho”, ou Buffalo Bill, de “O Silêncio dos Inocentes”.
“Cresci apaixonada por esses filmes e não creio ser a única pessoa trans a encontrar um estranho conforto nestas representações do monstro transexual, mesmo sendo obviamente problemáticas”, afirmou Schoenbrun. “Também me incutiram uma profunda transfobia internalizada e uma grande parte do início da minha transição passou por superar isso”, acrescentou.
Em “Teenage Sex and Death at Camp Miasma”, a terceira longa-metragem de Schoenbrun, uma argumentista – interpretada por Hannah Einbinder, conhecida pela série “Hacks” – visita a misteriosa atriz de um filme fictício, “Camp Miasma”, para a convencer a participar numa nova versão. A relação entre ambas aprofunda-se rapidamente numa exploração de sexo e imagem corporal enquanto começam a suspeitar de que o assassino de “Camp Miasma”, Little Death, despertou novamente, no fundo do lago do campo de férias, numa fusão entre realidade e ficção.
“É a minha primeira vez em Cannes para apresentar um filme, sinto-me honrada e estou muito orgulhosa dele.” Disse a emocionada Gillian Anderson na Sala Debussy onde foi projetado o filme onde interpreta Billy Presley, a atriz da saga “Camp Miasma” desaparecida dos ecrãs.
Quanto a Hannah Einbinder, afirma identificar-se com os temas do filme: a libertação da vergonha, a aceitação do desejo e a dificuldade de alguém que se sente deslocado no próprio corpo, sobretudo em contextos sexuais. “Acho que toda a gente passa por isso, e é algo de que raramente se fala, especialmente no contexto de uma relação sáfica”, declarou.