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Perturbador e singular, o filme de Arthur Harari distancia-se radicalmente de outras narrativas cinematográficas de troca de corpos, frequentemente tratadas em tom humorístico, de “Big”, com Tom Hanks, a “30 Anos Num Segundo”, passando por “Switch”, de Blake Edwards.

O argumentista de “Anatomia de Uma Queda”, Palma de Ouro em 2023, opta por um registo muito mais sombrio para a sua terceira longa-metragem enquanto realizador.

No filme, Niels Schneider interpreta um fotógrafo solitário e desencantado que cruza o caminho de uma mulher misteriosa, interpretada por Léa Seydoux. Após uma breve relação sexual durante uma festa, acaba, contra a sua vontade, por habitar o corpo dela.

“É antes de mais um pesadelo, porque subverte todos os hábitos que construímos em relação ao real e ao nosso próprio corpo”, explicou Arthur Harari à AFP. O filme adapta a banda desenhada “Le cas David Zimmerman”, escrita com o irmão Lucas.

A personagem interpretada por Niels Schneider e Léa Seydoux vagueia então à procura da pessoa que passou a ocupar o seu antigo corpo, confrontando-se com a impossibilidade de partilhar a própria angústia com aqueles que a rodeiam.

“É um enclausuramento absoluto e estou convencido de que muitas pessoas consideradas loucas vivem algo desta natureza, uma forma de estranheza relativamente a si próprias”, afirma Harari.

Embora exista efetivamente uma inversão entre masculino e feminino, Harari sublinha que o filme não pretende ser uma reflexão sobre transição de género, que descreve como “um processo voluntário”. “No entanto, há um ponto em que aquilo que o filme conta coincide, imagino, com experiências de transidentidade: a sensação de não estar no próprio corpo”, acrescentou.

  • CINEMAX - RTP c/ AFP
  • 19 de Maio de 2026, 11:50

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