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O cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn regressou ao Festival de Cannes, quinze anos depois do êxito de “Drive”, com uma fábula sombria moldada pelo que descreve como as narrativas ocultas que orientam o consumo mediático contemporâneo.

“Adoro a ideia da justaposição de narrativas”, afirmou Refn à Reuters, recordando que, em criança, gostava de mudar constantemente de canal na televisão porque isso lhe permitia saltar entre mundos diferentes — uma experiência que hoje vê refletida no fluxo interminável das redes sociais.

“O algoritmo cria essencialmente uma narrativa interna da qual não temos consciência, porque alimenta aquilo a que as nossas emoções reagem”, explicou. “Tudo isso se torna muito interessante quando pensamos no que é o cinema. Porque será que, no fundo, o cinema não é apenas uma experiência que perseguimos? Tudo isso combinado é, de certa forma, aquilo que ‘Her Private Hell’ representa.”

Refn estreou-se em Cannes em 2011 com “Drive”, protagonizado por Ryan Gosling no papel de um motorista envolvido em assaltos, filme que lhe valeu o prémio de melhor realizador.

Seguiram-se outro thriller com Gosling, “Só Deus Perdoa”, e o horror ambientado no mundo da moda “O Demónio de Néon”, antes de o realizador se dedicar à televisão.

“Her Private Hell”, exibido fora de competição na segunda-feira, assinala o regresso de Refn às longas-metragens.

No estilo visual característico de Refn, o filme abre com Elle, interpretada por Sophie Thatcher, num penthouse iluminado por néons sobre uma cidade envolta numa névoa associada à lenda de um assassino conhecido como Leather Man.

Havana Rose Liu interpreta a madrasta da protagonista, enquanto Kristine Froseth dá vida a uma jovem atriz chamada Hunter.

Numa narrativa paralela, um militar norte-americano destacado em Tóquio, interpretado por Charles Melton, percorre o submundo decadente da cidade em busca da filha, raptada pelo assassino.

Os atores descreveram as filmagens como fluidas e pouco convencionais, com as cenas a evoluírem diariamente.

“Havia um argumento, mas todos os dias ele surgia com um sonho, ou uma ideia nova, e nós seguíamos essa direção”, contou Kristine Froseth.

Sophie Thatcher, que recentemente protagonizou os filmes de terror “Companion” e “Herege”, descreveu a experiência como a mais absurda, mas também uma das mais artísticas e colaborativas da sua carreira: “Quase parecia que não estávamos a representar; era mais próximo de uma performance artística.”

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 19 de Maio de 2026, 09:41

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