“Oasis: Don’t Look Back in Anger”: um reencontro gelado em Veneza
Veneza assistiu à apresentação do documentário que acompanhou a histórica digressão «Live ’25» da banda de Manchester.
O argumentista Steven Knight conta como Liam Gallagher se apresentou no primeiro encontro, em 15 anos, com o irmão Noel, de quem estava afastado, durante um ensaio tenso antes da digressão “Live ’25”.
“Liam chega e diz: ‘Estamos prontos? Estamos prontos? Vamos começar?’ Todos responderam: ‘Sim, está bem, está bem. 1, 2, 3, 4, bang!'”, revelou Knight, criador da série televisiva “Peaky Blinders” e que também será o argumentista do próximo James Bond.
“São homens ingleses da classe trabalhadora. Não vão mostrar emoções, nem sequer vão apertar as mãos”, acrescentou.
“Oasis: Don’t Look Back in Anger” mostra como os irmãos Gallagher, naturais de Manchester, enterram progressivamente uma das mais célebres rivalidades da história do rock moderno, que remonta a discussões nos bastidores, em 2009, antes de um concerto em Paris.
Dispostos a esperar durante todo o dia, os fãs reuniram-se desde sábado de manhã no Lido de Veneza, antes da estreia do filme, intitulado “Oasis: Don’t Look Back in Anger”, referência a uma das canções da banda. Os irmãos Gallagher acenaram aos admiradores a partir de um barco quando chegaram à cidade italiana, banhada pelo sol.
O reencontro em palco, no ano passado, provocou uma vaga de nostalgia pelos anos 1990 e de apoio aos Oasis, uma das maiores bandas de rock dos últimos 30 anos. O filme procura explicar por que razão o seu atractivo continua tão forte, incluindo entre as gerações mais jovens, prosseguiu Steven Knight.
A reconciliação entre Liam e Noel foi facilitada pela aproximação entre os filhos de ambos, que não se conheciam antes do reencontro dos irmãos, segundo o argumentista. “Penso que, quando os filhos se envolveram, isso serviu de cimento. Os filhos conheceram-se e tornaram-se amigos”, contou.
“Todos sabemos que, quando os nossos filhos se conhecem e se dão bem, percebemos que estão a repetir tudo, a cometer os mesmos erros, e isso é óptimo. É a única compensação pelo facto de envelhecermos”, considerou.
Questionado sobre o seu trabalho no próximo James Bond, Knight respondeu que não podia falar sobre o assunto, limitando-se a dizer: “Estou mesmo ansioso. Vai ser muito bom.”
“Don’t Look Back in Anger” insere-se numa tendência que leva grandes artistas a lançar no grande ecrã filmes muito controlados sobre as suas digressões, permitindo aos fãs que não conseguiram comprar bilhetes ter uma perspetiva diferente dos concertos.
O filme de Taylor Swift sobre a digressão “Eras”, lançado em 2023, arrecadou cerca de 260 milhões de dólares em todo o mundo, enquanto Beyoncé também estreou nesse ano um filme sobre a sua digressão, que rendeu 44 milhões de dólares.
“Acho que é muito bom e a razão pela qual alguém aceita financiar um projeto como este é ver que existe um precedente”, observou Steven Knight.
O filme sobre os Oasis foi realizado pelos documentaristas britânicos Dylan Southern e Will Lovelace, especializados em música, que trabalharam ao lado de Knight, acompanhando a banda durante 12 concertos em três continentes.
Will Lovelace explicou que, inicialmente, se sentiram “intimidados” pela tarefa. “Os olhos do mundo inteiro estão postos neste projecto, que envolve dois irmãos conhecidos pela sua volatilidade, e nós não sabíamos como iria terminar”, confessou à AFP.
A estreia mundial de “Oasis: Don’t Look Back in Anger” está prevista para 9 de setembro.