Paramount adia aquisição da Warner Bros.
A empresa da família Ellison cedeu à pressão do grupo de estados norte-americanos liderados pela Califórnia que vê o negócio como uma ameaça ao interesse público.
A Paramount aceitou adiar a conclusão da fusão com a Warner Bros. até junho de 2027, segundo um documento entregue na sexta-feira em tribunal.
Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, saudou o acordo. “Estamos ansiosos por continuar a defender o nosso caso em tribunal e celebrar mais uma importante vitória no esforço para garantir que esta fusão ilegal nunca veja a luz do dia”, afirmou em comunicado. A Califórnia lidera a coligação de 12 estados norte-americanos que na semana passada intentaram uma ação para bloquear a operação
Além da Califórnia, a ação é subscrita pelos estados do Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jérsia, Novo México, Nova Iorque, Oregon e Washington, todos governados pelo Partido Democrata.
A procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, considerou igualmente que “suspender esta fusão enquanto o processo decorre constitui uma vitória decisiva nos esforços para fazer cumprir a lei e proteger as indústrias do cinema e da televisão”.
Caso venha a concretizar-se, a fusão dará origem a um dos maiores grupos mundiais de entretenimento e media que vai remodelar significativamente o sector e conceder uma importante vitória à família Ellison, proprietária da Paramount e próxima do Presidente norte-americano, Donald Trump.
A administração Trump aprovou a operação a 12 de junho, sem impor condições, abrindo caminho para uma das maiores concentrações empresariais no sector dos média dos últimos anos.
Contudo, na segunda-feira, uma juíza federal da Califórnia ordenou a suspensão temporária da operação, apenas dois dias antes de a União Europeia ter dado luz verde à fusão, sujeita a determinadas condições. Na decisão, a magistrada considerou que os estados apresentaram “questões sérias” quanto ao potencial anticoncorrencial da operação, acrescentando que “o equilíbrio dos interesses e o interesse público pendem claramente a favor dos estados que intentaram a ação”.
Segundo a queixa apresentada, a empresa resultante da fusão passaria a controlar cerca de 27% da distribuição cinematográfica de grande lançamento nos Estados Unidos e uma quota semelhante do licenciamento de canais de televisão por cabo.
Rob Bonta defende ainda que a união de dois dos cinco maiores distribuidores de cinema de Hollywood resultaria em “preços mais elevados, menor qualidade e menos conteúdos” para os consumidores.
O processo ganhou também uma forte dimensão política depois de Donald Trump afirmar publicamente que poderia intervir na operação, numa altura em que o futuro da CNN — canal de notícias frequentemente criticado pelo Presidente — poderá ser influenciado pela fusão.
Na nova empresa ficaria reunido um vasto conjunto de ativos, entre os quais a CNN, a Warner Bros. Pictures e o serviço de streaming HBO Max.
A disputa pela Warner Bros. começou no ano passado, quando a Netflix e a Paramount competiram pela aquisição do histórico estúdio cinematográfico e do seu valioso catálogo. A Paramount foi sucessivamente aumentando a oferta até que a Netflix abandonou as negociações, em fevereiro.