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A Paramount Skydance saiu vencedora de um processo que durou meses para adquirir a Warner Bros Discovery, após a gigante do streaming Netflix ter recusado, na quinta‑feira, aumentar a sua oferta pelo histórico estúdio de Hollywood.

“Temos sido sempre disciplinados e, ao preço necessário para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o negócio deixa de ser financeiramente atrativo, pelo que decidimos não igualar a proposta da Paramount Skydance”, afirma a Netflix em comunicado. A empresa confirmou à Reuters que está a abandonar formalmente a corrida pela Warner Bros Discovery. O conselho de administração da Warner Bros ainda terá de rescindir o acordo assinado com a Netflix e aprovar a oferta da Paramount Skydance.

“Assim que o nosso conselho votar a favor do acordo de fusão com a Paramount, isso criará um valor tremendo para os nossos acionistas”, disse o CEO da Warner, David Zaslav, em comunicado. “Estamos entusiasmados com o potencial de uma Paramount Skydance combinada com a Warner Bros Discovery e mal podemos esperar para começar a trabalhar juntos a contar as histórias que movem o mundo.”

A Paramount manteve uma perseguição tenaz à Warner Bros, lançando uma campanha hostil para tirar o ativo das mãos da Netflix. Conseguiu trazer a Warner Bros de volta à mesa de negociações na semana passada, ao acenar com a possibilidade de uma oferta em dinheiro mais elevada pela empresa.

No início do dia, a Warner Bros considerou que a oferta revista da Paramount, de 31 dólares por ação, era superior à proposta da Netflix, de 27,75 dólares por ação pelas operações de streaming e pelos estúdios da Warner Bros. Um gráfico interno mostrava as quedas nas cotações da Netflix e da Paramount durante o período em que disputaram a aquisição da WBD.

Um dos consultores da Netflix, sob anonimato, afirmou ter recomendado à plataforma que saísse da corrida porque o negócio deixou de fazer sentido do ponto de vista económico. O co‑CEO da Netflix, Ted Sarandos, já tinha dado a entender que não iria subir substancialmente a oferta numa entrevista de 20 de fevereiro ao canal Fox News, em que salientou que a empresa tem sido “um comprador muito disciplinado”.

O consultor acrescentou que a Netflix estava a licitar contra um bilionário que demonstrou estar disposto a pagar pela Warner Bros um preço que a empresa considera irracional.

As ações da Netflix dispararam mais de 10% depois de a empresa ter recusado aumentar a sua proposta.

A fusão da Paramount com a Warner Bros une dois grandes estúdios de Hollywood, duas plataformas de streaming (HBO Max e Paramount+) e duas operações de informação (CNN e CBS). Os Ellison têm ligações ao presidente Donald Trump, mas, ainda assim, a oferta deverá enfrentar um intenso escrutínio antitrust em Washington, noutros países e em estados norte‑americanos como a Califórnia.

“Achamos provável a aprovação pelos reguladores federais, dadas as atuais condições políticas; no entanto, consideramos muito provável que alguns reguladores estaduais – sobretudo o procurador‑geral da Califórnia, Rob Bonta – tentem contestar o negócio. Vemos também potencial para que reguladores europeus venham a pronunciar‑se”, escreveram analistas da TD Cowen numa nota.

Bonta, democrata, afirmou na noite de quinta‑feira que o negócio está longe de fechado. “Estes dois titãs de Hollywood ainda não passaram pelo crivo regulatório — o Departamento de Justiça da Califórnia tem uma investigação aberta e tenciona ser vigoroso na sua análise”, acrescentou. Os estados têm poder para intentar ações judiciais para travar fusões, embora o Departamento de Justiça federal disponha de mais recursos para o fazer.

Os senadores democratas Elizabeth Warren, Bernie Sanders e Richard Blumenthal manifestaram receio de que a eventual aprovação do negócio possa ser contaminada por favoritismo político.

Na proposta revista, a Paramount aumentou para 7 mil milhões de dólares a indemnização de rescisão a pagar caso o negócio não obtenha aprovação regulatória, acima dos 5,8 mil milhões inicialmente previstos. A empresa comprometeu‑se ainda a cobrir a penalização de 2,8 mil milhões de dólares que a Warner Bros terá de pagar à Netflix por romper o acordo de fusão.

O Ellison Trust está a comprometer 45,7 mil milhões de dólares em capital próprio, acima dos 43,6 mil milhões anteriores, com o apoio de Larry Ellison, que também concordou em disponibilizar fundos adicionais se necessário para satisfazer os requisitos de solvência bancária da Paramount, indicou a empresa. O Bank of America Merrill Lynch, o Citi e a Apollo estão a fornecer 57,5 mil milhões de dólares em financiamento via dívida, um aumento face ao compromisso anterior de 54 mil milhões.

O investidor ativista Ancora Holdings, que detém uma pequena participação na Warner Bros e vinha pressionando o proprietário da HBO a envolver‑se mais com a Paramount, acolheu favoravelmente a nova proposta. “A decisão da Netflix de não subir a sua oferta de 27,75 dólares, sujeita a prováveis ajustes de dívida líquida, abriu caminho para que os acionistas recebam substancialmente mais dinheiro e para uma via verdadeiramente viável rumo às aprovações governamentais”, afirmou a Ancora em comunicado. “É uma solução positiva para os acionistas e para o setor.”

  • Reuters
  • 27 Fev 2026 09:08

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