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O realizador espanhol Pedro Almodóvar defendeu, esta quarta-feira, no Festival de Cannes, que os artistas têm a obrigação moral de se pronunciarem sobre as crises que atravessam a sociedade, apelando à resistência contra “monstros” como Donald Trump.

“O criador, a partir da sua pequena plataforma, cada um a partir da sua, deve falar sem rodeios”, afirmou Almodóvar após a estreia da tragicomédia “Amarga Navidad”.

“O silêncio e o medo — porque se trata claramente de uma expressão de medo — são sinais muito maus; são sinais da erosão da democracia”, acrescentou o cineasta espanhol, considerado uma das figuras centrais do cinema europeu contemporâneo.

“Somos obrigados a tornar-nos uma espécie de escudo contra monstros como Trump, Netanyahu ou o russo”, declarou, numa referência ao Presidente norte-americano Donald Trump, ao primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e ao Presidente russo Vladimir Putin.

“Trump tem de perceber que há um limite para todos os seus delírios e loucuras, e que a Europa nunca se curvará às políticas de Trump”, acrescentou.

O mais recente filme do realizador, conhecido pela combinação de humor negro e melodrama, é protagonizado por Leonardo Sbaraglia no papel de Raúl, um cineasta que começa a apropriar-se de episódios da vida das pessoas que o rodeiam para escrever o seu novo argumento.

Segundo Almodóvar, a história inspira-se profundamente no seu próprio percurso criativo enquanto realizador. “Amarga Navidad” marca a sexta participação de Almodóvar na competição pela Palma de Ouro.

O cineasta admitiu que sentirá saudades de Cannes quando deixar de fazer filmes. “Mas, por agora, penso que ainda vou fazer mais um filme; espero continuar a encontrar inspiração para outros”, afirmou, acrescentando que o próximo projeto terá mais humor.

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 21 de Maio de 2026, 13:19

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