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06 Set 2026

O filme “Primetime”, em competição no Festival de Cinema de Veneza, explora a fronteira difusa entre jornalismo e entretenimento, afirmaram os seus autores este sábado, apontando como inspiração o universo televisivo de “To Catch a Predator”, da NBC.

Robert Pattinson protagoniza o filme, inspirado nos anos em que o apresentador norte-americano Chris Hansen conduziu a série de investigação que confrontava suspeitos de pedofilia através de iscos, câmaras ocultas e operações policiais transmitidas pela televisão.

O realizador Lance Oppenheim afirmou estar fascinado pela forma como o programa combinava perigo real com situações cuidadosamente construídas, nas quais actores fingiam ser crianças para atrair predadores sexuais para uma armadilha televisiva. “Colidiam com uma situação extremamente real e extremamente perigosa”, disse na conferência de imprensa. “O próprio programa é mais estranho do que a ficção”, afirma Oppenheim, que se estreia na longa-metragem de ficção depois de vários anos como documentarista.

O filme mostra a ascensão de Hansen na NBC, alimentada pelo ego, enquanto a sua vida pessoal começa a desmoronar-se e ele próprio se torna alvo de uma jornalista de imprensa cor-de-rosa.

Hansen, que apenas viu o trailer, criticou publicamente o filme, classificando-o como “totalmente inventado”. Questionado sobre essas declarações, Pattinson adoptou um tom conciliador. “É evidente que espero que ele goste do filme”, afirmou.

Embora tenha sublinhado que não pretendia fazer um filme sobre o próprio Hansen, Pattinson reconhece que o apresentador inspirou o projecto. “Acho que havia qualquer coisa naquele programa que era verdadeiramente revolucionária, que quebrava, de certa forma, as regras da televisão.”

Pattinson é também produtor do filme e afirmou que inicialmente não esperava interpretar o papel principal. À medida que a investigação avançava, porém, sentiu-se cada vez mais atraído pela personagem. O actor descreveu o domínio do sotaque e dos maneirismos de Hansen como um dos desafios mais exigentes da sua carreira.

O filme marca também a estreia como actriz da cantora e compositora Phoebe Bridgers, vencedora de um Grammy, que Pattinson elogiou pela facilidade com que se adaptou ao trabalho no plateau e pela capacidade de improvisação. “Ela estava tão descontraída, fiquei muito impressionado”, afirmou.

“Primetime” é um dos quatro filmes protagonizados por Pattinson que chegam aos cinemas este ano, incluindo o êxito de verão “A Odisseia” e “Dune: Part Three”, com estreia prevista para o final do ano.

O actor afirmou que considera estimulante conciliar tantos projectos, embora tenha reconhecido que nem sempre foi fácil. Brincou, por exemplo, dizendo que os vestígios da voz característica de Hansen ainda estavam presentes quando começou a trabalhar em “A Odisseia”.

“Consigo ouvir claramente um pouco de Chris Hansen em ‘A Odisseia’ quando vejo o filme”, disse. “É que as filmagens começaram literalmente algumas horas depois.”

“Primetime” é um dos 21 filmes que competem pelo Leão de Ouro de Veneza, que será atribuído a 12 de Setembro.

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 06 de Setembro de 2026, 08:03

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