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23 Mai 2026

“Fjord”, do romeno Christian Mungiu recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cannes, em cerimónia que decorreu ao início da noite de sábado. O filme com Sebastian Stan and Renate Reinsve acompanha a mudança de uma família religiosa da Roménia para uma aldeia norueguesa.

É a segunda Palma de Ouro ganha pelo realizador que em 2007 ganhou o festival com “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”.

Exilado e após uma grave doença que quase o matou, o russo Andrey Zvyagintsev venceu o Grande Prémio do Júri com “Minotaur”, onde a invasão da Ucrânia e o recrutamento de homens para a frente de batalha acompanha o drama doméstico de um executivo que descobre a relação extraconjugal da esposa. No discurso de aceitação, Zvyagintsev apelou a Vladimir Putin: “Ponha fim a este massacre” referindo-se às centenas de milhares de mortes provocadas pela guerra.

Na realização, o júri atribuiu prémios a dois filmes: aos espanhóis Javier Calvo e Javier Ambrossi, por “La Bola Negra”, filme que percorre três épocas para analisar a forma como a sociedade espanhola encara a homossexualidade; e ao polaco Paweł Pawlikowski, por “Fatherland”, crónica da primeira viagem do escritor Thomas Mann pela Alemanha após a derrota dos nazis.

O Prémio do Júri, coube ao filme “Das geträumte Abenteuer” (The Dreamed Adventure), da alemã Valeska Grisebach. Co-produção europeia, segue uma mulher envolvida num negócio de contrabando perto da fronteira entre a Bulgária, a Grécia e a Turquia.

Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, protagonistas de “Coward”, de Lukas Dhont (Bélgica), receberam o prémio para a melhor interpretação masculina. O drama queer decorre na Primeira Guerra Mundial em redor de um grupo de soldados com a missão de criar atividades para distrair os combatentes.

A japonesa Tao Okamoto e a franco-belga Virginie Effira venceram do lado feminino graças ao seu trabalho em “Soudain”, drama de Ryusuke Hamaguchi (Japão) sobre o encontro entre a diretora de uma casa de repouso e uma dramaturga.

O prémio do melhor argumento foi entregue ao francês Emmanuel Marre, pela sua segunda obra, “Notre Salut”, sobre um escritor ambicioso na França colaboracionista de Vichy, durante a Segunda Guerra Mundial.

Isabelle Huppert, atriz francesa, apresentou a Palma de Ouro honorária a uma Barbra Streisand ausente de Cannes por ter sofrido uma lesão no joelho. A estrela de “Funny Girl” enviou uma mensagem por vídeo onde recordou o pequeno cinema junto da sua escola que exibia filmes a preto e branco de outros países, uma experiência que lhe permitir conhecer Truffaut, Bergman, Fellini, ou Kurosawa.

Foi a terceira Palma de Ouro honorária atribuída durante a corrente edição do evento. Os outros contemplados foram o neozelandês Peter Jackson, realizador de “O Senhor dos Anéis”, homenageado na abertura do festival, e o norte-americano John Travolta, durante a apresentação do seu primeiro trabalho atrás das câmaras.

Palmarés Festival de Cannes 2026

Palma de Ouro: “Fjord”, de Christian Mungiu (Roménia)
Grande Prémio: “Minotaur”, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)
Prémio do Júri: “Das geträumte Abenteuer” (The Dreamed Adventure), de Valeska Grisebach (Alemanha)
Prémio melhor realização: Javier Calvo e Javier Ambrossi (Espanha), por “La Bola Negra”, e Paweł Pawlikowski (Polónia), por “Fatherland”
Prémio interpretação masculina: Emmanuel Macchia e Valentin Campagne por “Coward”, de Lukas Dhont (Bélgica)
Prémio interpretação feminina: Tao Okamoto e Virginie Effira por “Soudain”, de Ryusuke Hamaguchi (Japão)
Prémio melhor argumento: Emmanuel Marre (França), por “Notre salut”
Palma de Ouro (curta-metragem): “Para Los Contricantes”, de Federico Luis (Argentina)
Prémio Camera d’Or (melhor primeira obra): “Ben’Imana”, de Marie-Clémentine Dusabejambo (Ruanda)

  • CINEMAX - RTP
  • 23 de Maio de 2026, 19:46

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