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30 Set 2026

Tom Cruise descreve a personagem que interpreta em “Digger” como “completamente extravagante” e diferente de qualquer outra que tenha encontrado ao longo da carreira.

“É o tipo de personagem que diz coisas que algumas pessoas pensam e outras nem conseguem imaginar pensar”, afirmou o ator à Reuters durante a antestreia do filme em Londres. “Nunca vi uma personagem assim. Nunca vi um filme assim.”

“Digger” foi desenvolvido ao longo de quase dez anos de trabalho pelo realizador mexicano Alejandro G. Iñárritu, vencedor de quatro Óscares. O filme despertou particular atenção desde a divulgação do trailer, que mostrou Cruise transformado no excêntrico magnata do petróleo Digger Rockwell, com cabelo grisalho, próteses faciais e um fato almofadado.

Cruise explicou que a transformação física esteve longe de ser o aspeto mais exigente da personagem, apontando antes para um monólogo de dez minutos filmado num único plano.

Sandra Hüller, protagonista de “Anatomia de uma Queda”, considerou “extraordinário” observar o desempenho de Cruise. “Parece que tudo aquilo que aprendeu em 46 anos de representação entrou nesta personagem”, afirmou.

No filme, Rockwell desencadeia inadvertidamente uma catástrofe ambiental que coloca o mundo à beira de uma guerra nuclear, e tenta salvar o planeta. “Se virem o filme sem saber nada sobre ele, é muito melhor do que se souberem antes”, afirmou Hüller, explicando que o secretismo não teve como único objetivo criar expectativa.

Cruise descreveu a história como uma reflexão sobre “poder e ganância”, mas também sobre “responsabilidade e irresponsabilidade”.

A australiana Sophie Wilde acrescentou que o filme aborda a arte como “um veículo para a catarse”.

Iñárritu, responsável por filmes como “Birdman” e “The Revenant: O Renascido”, comparou o processo de realização de “Digger” ao trabalho de um pintor, afirmando que cada plano foi cuidadosamente construído para envolver o espectador no universo do filme.

Para Emma D’Arcy, essa atenção ao detalhe fez com que trabalhar com o realizador mexicano se assemelhasse a integrar uma orquestra dirigida por um maestro. “A musicalidade foi muito, muito importante em ‘Digger'”, afirmou. “É uma comédia e, por isso, o ritmo é fundamental.”

Michael Stuhlbarg, de “Chama-me pelo Teu Nome”, recordou que as cenas evoluíam constantemente durante a rodagem, com novos diálogos, versões alternativas e acrescentos inesperados a surgirem de um dia para o outro. O ator brincou com a quantidade de material invulgar que foi filmado e disse esperar que, um dia, seja lançada uma edição em DVD com cenas adicionais da produção. “Havia muito para nos divertirmos”, afirmou.

“Digger” chega aos cinemas portugueses a 1 de outubro.

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 30 de Setembro de 2026, 08:39

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