Apresenta-se a 34.ª edição do Curtas Vila do Conde
A edição 2026 do festival internacional de cinema Curtas Vila do Conde decorre de 17 a 26 de julho com homenagens a Mohammad Rasoulof e Todd Haynes.
Foi desvendada esta segunda-feira a programação completa do 34.º Curtas de Vila do Conde com as grandes novidades a serem a retrospetiva dedicada ao iraniano Mohammad Rasoulof e a lista dos 14 filmes da Competição Nacional.
Rasoulof, de 53 anos, terá a sua obra integrada na secção In Focus (‘Em Foco’). Cineasta “profundamente marcada pela censura, pela repressão política e pela defesa da liberdade de expressão”. Recebeu o Urso de Ouro em Berlim com “There Is No Evil” (2020), filmado clandestinamente no seu país e tem sido alvo de críticas e perseguição pelo regime iraniano, de penas de prisão à proibição de filmar. O Curtas exibirá o seu filme mais recente, a longa-metragem “A Semente do Figo Sagrado” (2024), assim como “Iron Island” (2005) e “A Man of Integrity” (2017).
O festival programa ainda uma sessão especial, “Irão, Cinema e Liberdade”, com o jornalista Ricardo Alexandre, autor de “Tudo sobre o Irão”, no contexto da ofensiva norte-americana e israelita neste país do Médio Oriente.
Na seleção dos 14 filmes da Competição Nacional, destaca-se “Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio”, de Daniel Soares, estreado na competição oficial de Cannes em maio; “Um Coração Incendiário” de Carlos Conceição (o mesmo de “Um Fio de Baba Escarlate”, de 2020); e “A Vira Páginas” do músico Filipe Melo que apresenta a atriz e realizadora americana Joanna Arnow como protagonista.
Na competição internacional, destaque para “Champ de Mars”, de Sergei Loznitsa, e também para obras de Siri Hammarén, Mathilde Bédouet, Ali Cherri, Gala Hernández López e do palestiniano Fairouz Hasan, este com “Lovely Butterfly”. Rasoulof apresenta aqui, também, um novo filme, “Sense of Water”.
Do júri fazem parte a produtora Christine Vachon, a atriz Cléo Diára, a crítica francesa Marie-Pauline Mollaret, o ensaísta Carlos Losilla e o cineasta Guillemo Galoe.
SELEÇÃO OFICIAL DO 34.º CURTAS VILA DO CONDE
Competição nacional
“Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio”, de Daniel Soares
“Um Coração Incendiário” de Carlos Conceição
“A Vira Páginas” de Filipe Melo
“The Dark Knot at the Center”, de Inês Pedrosa e Melo
“Rio Infinito”, de Gonçalo Pina
“Vermelhos do Asfalto”, de João Niza Ribeiro
“No Princípio”, de Ala Nunu
“Flui”, de Ana Fernandes e Joana Vieira da Costa
“A Hora da Estrela”, de Rita Barbosa
“Massa Mãe”, de Maria Novo
“Porto2000”, de Matilde Camacho
“Vagabundo”, de Susa Monteiro
“Do Silêncio à Palavra”, de João Pedro Barriga
“A Nebulosa Romântica”, de Pedro Ramalhete
Todd Haynes e Miranda Pennell na secção In Focus
Já anunciados estavam ciclos dedicados ao realizador norte-americano Todd Haynes e à artista visual britânica Miranda Pennell.
Autor de filmes como “Safe” (1995), “Velvet Goldmine” (1998) e “Carol” (2015), Todd Haynes é uma das figuras centrais do cinema independente norte-americano das últimas décadas. A produtora Christine Vachon, colaboradora de longa data do realizador e uma das mais influentes do cinema independente norte-americano, estará presente em Vila do Conde para apresentar a obra bem como o seu trabalho enquanto produtora de cinema.
Quanto a Miranda Pennell, artista visual, realizadora e professora britânica, é reconhecida pelo modo como trabalha imagens de arquivo e investiga as relações entre memória, história e representação. Vencedora do prémio de Melhor Filme da Competição Experimental do Curtas Vila do Conde 2024 com “Man Number 4”, apresentará uma exposição na Solar – Galeria de Arte Cinemática, intitulada “H is for History N is for Now”, bem como uma seleção de filmes escolhidos pela própria. Apresenta ainda a palestra-performance “Gestures of Love and Violence”.
A secção Cinema Revisitado propõe este ano um foco em autores que continuam a desenvolver trabalho artístico e que regressam às suas obras em diálogo com o público. “Ao contrário de edições anteriores, centradas sobretudo na recuperação de obras de cineastas já afastados da atividade, este ano o diálogo entre filmes, autores e público assume um papel central”, sublinha o diretor artístico do Curtas, Nuno Rodrigues.
O programa inclui ainda a realizadora norte-americana Bette Gordon, que apresentará “Empty Suitcases” (1980), obra do movimento No Wave Cinema, e o britânico John Smith, que assinala os 50 anos de “The Girl Chewing Gum” (1976), um dos filmes mais influentes do cinema experimental. Destaque ainda para a obra “Seven Women, Seven Sins“ (1986) da artista e realizadora Maxi Cohen, cujo trabalho cruza cinema, ativismo e questões de identidade cultural, racial e de género.
A programação inclui ainda a secção Cinema Expandido, dedicada a projetos que exploram diferentes formas de relação entre cinema, espaço e performance, e Stereo, que volta a colocar o cinema em diálogo com a música através de cineconcertos e criações originais. A abertura do festival será assinalada por um cineconcerto de Bruno Miguel e Nuno Canavarro a partir da obra de Germaine Dulac, figura pioneira do cinema experimental. A programação inclui ainda um novo projeto do baterista e compositor Gabriel Ferrandini, em colaboração com o realizador Luís Costa, numa proposta que cruza música, memória e imagem.
Às duas competições centrais, nacional e internacional, juntam-se as competições Take One!, dedicada a filmes realizados por estudantes de cinema e audiovisual, e My Generation, selecionada por um comité de estudantes do ensino secundário e da ESMAD.
O Curtas Vila do Conde decorre entre 17 e 26 de julho em vários espaços da cidade, com sessões de cinema, conversas com realizadores, workshops e atividades para famílias e crianças.
O festival espera receber mais de 20.000 espectadores no conjunto das atividades.