Cinema ambiental em Seia: 32.º CineEco traz competição com 87 filmes
O Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela oferece nove dias de cinema sobre temáticas ambientais com entrada gratuita.
De 9 a 17 de outubro, Seia volta a ser o centro do cinema ambiental com nove dias dedicados a temas pertinentes sobre modelos económicos, novos desafios do ativismo ambiental, apartheid climático, migrações ambientais, espécies, habitats e exploração de recursos.
A Seleção Internacional de Longas-Metragens integra dez obras em estreia absoluta em Portugal, incluindo filmes exibidos, ou premiados, em Cannes, Roterdão, no festival Visions du Réel (França), Sundance (EUA), CPH:DOX (Dinamarca) e em Salónica (Grécia).
O melodrama clássico, ON THE SEA (Reino Unido), de Helen Walsh, explora a tensão entre tradição e natureza numa comunidade piscatória galesa e a comédia radical L’ESPÈCE EXPLOSIVE (França), de Sarah Arnold, ilustra o conflito entre agricultores, caçadores e javalis, num filme que recebeu o prémio Europa Label na Quinzena dos Cineastas do Festival de Cannes.
As ameaças provocadas pela modernidade e mudanças climáticas que afetam comunidades pastoris ancestrais surgem retratadas em LET OUR MOUNTAINS LIVE (Noruega), de Håvard Bustnes, onde os pastores de renas Sami travam uma luta contra o maior parque eólico da Europa, e IRON WINTER (Austrália, Mongólia), de Kasimir Burgess, observa o compromisso férreo de dois amigos para proteger dois mil cavalos no rigoroso inverno do deserto da Mongólia.
Os vestígios contemporâneos do poder colonial são visíveis no documentário KIKUYU LAND (Quénia), de Andrew H. Brown e Bea Wangondu, filmado nas plantações do chá das terras altas quenianas, e em MATERIA PRIMA (Alemanha), de Jens Schanze, sobre a exploração dos grandes depósitos de lítio da Bolívia.
BLACK WATER (Espanha), de Natxo Leuza, documenta a crise atual dos refugiados no Bangladesh perante a subida do nível das águas do mar, e as divisões tensas sobre o modelo de produção agrícola observadas de forma cómica em DEREK VS DEREK (Reino Unido), de James Dawson.
O futuro é explorado e questionado no especulativo PLAN C FOR CIVILIZATION (Estados Unidos), de Ben Kalina e no desafiador THE SYSTEM (Países Baixos, Bélgica), de Joris Postema, com música de Lee Ranaldo, dos Sonic Youth.
Fora da competição, será exibida a longa-metragem animada A REVOLUÇÃO DOS BICHOS (Reino Unido), de Andy Serkis, sátira musical a partir do clássico “O Triunfo dos Porcos”, de George Orwell.
A Seleção Oficial de Longas-Metragens em Língua Portuguesa integra a estreia nacional da ficção especulativa YELLOW CAKE (Brasil), de Tiago Melo, com produção de Kléber Mendonça Filho e Emilie Lescaux; a animação NIMUENDAJÚ (Brasil), de Tania Anaya, e os documentários RUA DO PESCADOR n.º 6, (Brasil) de Bárbara Paz, ÁGUA MÃE (Portugal), de Hiroatsu Susuki e Rossana Torres, O AVESSO DO MUNDO (Portugal), de Rita Palma e BAÍA DOS TIGRES (Angola, Portugal), de Carlos Conceição.
Na secção competitiva internacional reservada às curtas e médias-metragens, apresentam-se 31 filmes com destaque para QUIETUDE, do português Gonçalo Almeida, e FELICIDAD, do espanhol Francesco Mastroleo, produzidas no âmbito de uma residência cinematográfica orientada em 2024 em La Palma pelo cineasta alemão, Werner Herzog.
A vasta abrangência temática das alterações climáticas e do sobreaquecimento global revelam-se na ficção científica 1,5 Y MÁS de Miguel Dorado, e na visão poética inerente à curta YOU TOLD US TO TALK ABOUT THE WEATHER, do inglês Harry Tomlin. As questões dos ecossistemas aquáticos surgem em THE HERRING QUEEN, em KOMARNICA: THE WILD THAT REMAINS e a temática da biodiversidade é abordada em LOVE BIRDS, WE ARE ANIMALS e DAWN CHORUS, filme sobre a beleza do canto dos pássaros pela madrugada, que acompanha o músico e filósofo David Rothenberg na captação de sons na floresta.
Os temas da paisagem e dos lugares, recorrente nas edições anteriores do CineEco, regressa na edição deste ano em IBRIDO URBANO, FINDING THE LANDSCAPE e LAST TROPICS. As culturas indígenas e ativismos locais, estarão presentes em SAY IT SLOWLY, sobre as línguas e culturas tradicionais, REMIGIA’S LESSONS, que trata da transmissão de conhecimento, e LOST SONGS OF SUNDARI, abordagem sobre a preservação da memória enquanto património imaterial de uma cultura.
REPLANTING A GARDEN e a animação PETRA Y EL SOL centram-se na reflorestação e na dinâmica terapêutica da flora. As migrações associadas a pressões ambientais, ou sociais, e as rotas de risco são relatadas em RISKY ROUTES, que acompanha a migração anfíbia na Suíça, ou na curta de ficção mexicana EL GÜERO, em que um funcionário de uma empresa norte-americana chega a uma cidade costeira do México para supervisionar a construção do primeiro hotel da região.
Na Seleção Oficial de Curtas e Médias-Metragens em Língua Portuguesa contabilizam-se 14 obras onde surgem OS BRAVOS, de Catarina Mourão, ALGUMAS COISAS QUE ACONTECEM AO LADO DE UM RIO, de Daniel Soares e ONDE NASCEM OS PIRILAMPOS, de Clara Vieira, filmes com percurso internacional nos festivais de Roterdão e de Cannes.
Por fim, a Competição Panorama Regional dedicada a filmes com narrativas centradas na zona da Serra da Estrela, integra MAÇOS E MARTELOS de Tiago Cerveira, O AVESSO DO MUNDO, de Rita Palma, O PRÓXIMO PRINCÍPIO, de Pedro Nogueira e O ANJO DA GUARDA, de Eduardo Pires.
Este ano será exibido ainda numa sessão especial fora de competição a longa-metragem LIÇÕES DE FOGO (Finlândia), de John Webster, documentário sobre os incêndios em Portugal filmado em Castelo Branco e na aldeia do Sabugueiro, em Seia.