“Derek vs. Derek”: documentário sobre agricultores vence CineEco 2026
A 32.ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela acolheu mais de 3 mil espectadores, 1 120 alunos das escolas do concelho de Seia e arredores e a presença de 45 cineastas de 15 países.
“Derek vs. Derek” realizado por James Dawson conquistou o “Grande Prémio Ambiente” do CineEco 2026, na competição internacional de longas-metragens. O filme analisa a relação entre dois agricultores de uma pacata zona rural na região de Devon, no Reino Unido. Unidos pelo mesmo nome, têm diferentes visões sobre o uso da terra.
A relação desconcertante, mordaz e divertida entre o produtor de leite Derek Banbury, horrorizado com a devastação da quinta do seu vizinho, outrora produtiva, e o “ rebelde da renaturalização ” (como é apelidado na imprensa), Derek Gow, antigo criador de gado determinado a transformar as suas terras num refúgio para a natureza, conquistou um dos mais importantes galardões do festival.
“The System”, produção dos Países Baixos realizada por Joris Postema recebeu uma menção honrosa do júri da competição de longas internacionais. Já o prémio para a melhor longa-metragem em língua portuguesa, foi atribuído à brasileira Bárbara Paz por “Rua do Pescador N.º6, um documentário a preto e branco sobre a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, sobretudo na região de Porto Alegre onde mais de 600 mil pessoas ficaram sem casa e bairros inteiros permaneceram submersos durante dias.
Inserido nas competições de longas internacionais, o prémio Antropologia Ambiental seguiu para “Iron Winter”, do realizador australiano Kasimir Burgess. O filme acompanha o jovem Batbold no maior desafio da sua vida: proteger mais de mil cavalos durante o inverno mais mortífero de que há registo no remoto vale de Tsakhir, na Mongólia.
“1,5 Y Más”, do cineasta espanhol Miguel Dorado arrecadou o Prémio Curta e Média-Metragens Internacional. Na mesma competição, foi ainda atribuída uma menção honrosa a “Remigia’s Lessons”, produção das Filipinas assinada por Jewel Maranan.
A melhor curta e média-metragens em língua portuguesa foi para o filme da dupla de cineastas Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança, “Floresta do Fim do Mundo” enquanto “Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio”, de Daniel Soares recebeu uma menção honrosa.
O Prémio Educação Ambiental foi para o documentário brasileiro GUERREIROS PLANTADOS (2026), de José Carbonel e Rui Mendonça.
O Prémio Curta-Metragem de Ficção, Não Ficção e Animação foi entregue a “El Canto del Jaguar”, de Antonia Silva Alvarado (México) e o Prémio Curta-Metragem de Animação seguiu para “Aller & Retour”, de Lucia Bulgheroni e Michele Greco.
Na Competição Panorama Regional, o júri premiou “Maços e Martelos”, de Tiago Cerveira, um documentário sobre o gesto ancestral que ainda ecoa nas serras do interior de Portugal. O jovem realizador conquistou já três galardões no CineEco, em 2015, 2019 e 2020. Foram ainda entregues prémios especiais que abrangem todas as competições do CineEco: o “Prémio Valor da Água” a “Black Water” de Natxo Leuza e o “Prémio Juventude” a “La Fjella Leve, de Håvard Bustnes.
O CineEco regressa em 2027 de 8 a 16 de outubro, anunciou a organização que garante o mesmo propósito de edições anteriores, usar o cinema para pensar a relação com o ambiente e o território.