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26 Ago 2026

A cantora, compositora de música country e atriz, cujo carisma, letras sentidas e talento cativaram a imaginação do público durante quase seis décadas, morreu terça-feira aos 80 anos, informou a família em comunicado.

Não foi divulgada a causa da morte, mas o assessor de imprensa de Parton disse que morreu pacificamente em Nashville. A revista People acrescenta que a estrela enfrentou uma “breve batalha contra o cancro”, citando os seus representantes.

Parton tornou-se uma das artistas femininas com maior sucesso de sempre, tendo vendido mais de 100 milhões de discos. Ganhou ainda 11 prémios Grammy, incluindo o Grammy de Carreira.

A sua personalidade afável, combinada com os exuberantes penteados loiros, trajes extravagantes e o entusiasmo contagiante por estar no centro das atenções, conquistou norte-americanos de todas as origens e ajudou a levar a música country a públicos internacionais.

Ao longo dos anos, Parton apresentou um programa televisivo de variedades, protagonizou filmes e chegou a criar um parque temático, Dollywood, uma atração turística no seu estado natal do Tennessee — tudo isto a par do seu reconhecido trabalho como compositora.

Oriunda de uma família que descrevia como “pobre de dar dó”, tornou-se frequentemente um símbolo da classe trabalhadora norte-americana e usou regularmente o seu nome e o dinheiro em apoio de causas nas quais acreditava.

Em resposta à pandemia de COVID-19, Parton doou um milhão de dólares à investigação de vacinas na Universidade Vanderbilt em 2020, tornando-se uma das primeiras financiadoras do desenvolvimento da vacina da Moderna. Criou um programa de alfabetização destinado a crianças em idade pré-escolar nos Estados Unidos, bem como no Canadá, Reino Unido, Austrália e Irlanda, e atribuiu bolsas de estudo a alunos do ensino secundário do condado do Tennessee onde nasceu.

Dolly Rebecca Parton nasceu a 19 de janeiro de 1946, em Pittman Center, no Tennessee, e cresceu numa cabana de uma só divisão em Locust Ridge, nas proximidades. Uma das 12 crianças do agricultor de tabaco Robert Lee Parton, teve uma infância difícil que conferiu autenticidade às suas canções frequentemente pessoais, interpretadas com a sua distinta voz de soprano.

A sua mãe, Avie Lee, cantava constantemente — canções de Inglaterra, Irlanda e País de Gales que contavam histórias. “A mãe tinha uma voz assombrosa e, meu Deus, como a sentíamos”, escreveu Parton no livro de 2020 “Dolly Parton, Songteller”, que assinou em parceria com Robert K. Oermann. Recebeu a primeira guitarra a sério aos oito anos. Sempre que recebia visitas, a mãe costumava dizer: “Quero que ouçam esta canção que a pequenina inventou. É mesmo boa.” Aos 11 anos, cantava numa estação de rádio local e, aos 13, atuava num programa semanal de música country. Após concluir o ensino secundário, mudou-se para Nashville para prosseguir uma carreira na música.

Parton inspirou o seu visual característico numa mulher que via a passear pela sua terra natal no Tennessee, com saias justas e saltos altos, unhas vermelhas, batom vermelho e cabelo oxigenado. “Achava-a linda. Mas toda a gente dizia: ‘É uma ordinária!'”, escreveu Parton no livro de 2023 “Behind the Seams: My Life in Rhinestones”. “Eu ria-me e dizia: ‘Bem, se isso é ser ordinária, é isso que quero ser quando crescer!'”

Dolly Parton estreou-se no cinema em “Das 9 às 5” (1980), projeto impulsionado por Jane Fonda que pretendia alargar o apelo do filme ao público do sul e mais conservador dos Estados Unidos. A interpretação como Doralee Rhodes revelou um talento cómico natural, efervescente e luminoso que ajudou a transformar a comédia num fenómeno de bilheteira. A canção-título valeu a Parton a nomeação para o Óscar de Melhor Canção Original. Em 2006, receberia uma segunda nomeação por “Travelin’ Thru”, tema do filme “Transamerica”.

Em 1982, a cantora aparece ao lado de Burt Reynolds na adaptação do musical da Broadway, “A Melhor Casa de Prazer do Texas”, onde interpreta Miss Mona Stangley, a gerente do “Chicken Ranch”, um bordel histórico numa pequena cidade do Texas.

No final da década, em 1989 tem o seu último grande papel do cinema: dá vida a Truvy Jones, proprietária de um salão de beleza caseiro no Luisiana no melodrama “Flores de Aço” com Sally Field, Shirley MacLaine, Olympia Dukakis e uma muito jovem Julia Roberts. O salão da personagem de Parton serve de santuário emocional e centro social para um grupo de mulheres que enfrenta as vicissitudes e tragédias da vida. Truvy é o coração daquela comunidade: exuberante, profundamente acolhedora e empática.

Parton escreveu todas as suas canções de sucesso. No total, estima-se que tenha composto cerca de 3 mil canções ao longo da vida, embora tenha gravado apenas cerca de 450. Vinte e cinco dessas suas canções chegaram ao primeiro lugar da tabela Billboard Country, e Parton era membro do Songwriters Hall of Fame, tendo recebido a sua mais alta distinção, o Prémio Johnny Mercer, em 2007. Em 2022, entrou para o Rock and Roll Hall of Fame. Recebeu o primeiro Grammy em 1978 pela canção “Here You Come Again”. Em 1988, ganhou o People’s Choice Award para artista feminina de entretenimento favorita.

Apesar de todos os prémios e conquistas, Parton encontrou o maior significado na sua arte. “Sinto que estou mais próxima de Deus quando escrevo”, escreveu em “Dolly Parton, Songteller”. “Uma grande frase surge-me simplesmente e penso: ‘Obrigada, Senhor. Sei que não fui eu que pensei nisto.'”

“No fim de contas, espero ser recordada como uma boa compositora. As canções são o meu legado.”

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 26 de Agosto de 2026, 19:06

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