Festival Entre Olhares traz estreias mundiais ao Barreiro
Durante uma semana, o festival propõe cinema português e internacional na Margem Sul.
No Barreiro, começa este fim de semana o Festival Entre Olhares, que promete bilhetes bilhete a 3,50€, viagens de autocarro gratuitas nos TCB e acesso a estreias mundiais de filmes consagrados em festivais internacionais como San Sebastián.
Com sessões repartidas entre o Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC) e Castello Lopes Cinemas do Barra Shopping, a edição 2026 do festival reforça a aposta em aproximar os autores do público: estão confirmados 25 convidados, entre realizadores, atores e produtores, que conduzirão conversas e debates com os espectadores no final das sessões.
Mário Ventura, diretor do festival, refere que “O Entre Olhares é, mais do que um festival, uma celebração viva do nosso cinema. Esta 8.ª edição é uma oportunidade verdadeiramente única para o público ver o que de melhor e mais desafiante se está a produzir em Portugal — desde obras que passaram pelos aclamados festivais de Cannes ou San Sebastián até estreias mundiais absolutas.”
Na corrida à Garça de Ouro, prémio principal do festival, destaca-se “Um Filme de Terror”, de Sérgio Oksman, que chega ao Barreiro depois de ter passado por San Sebastián e Varsóvia, construindo uma provocadora reflexão sobre o luto e a memória a partir de um hotel abandonado em Lisboa.
Outro grande destaque da programação é a longa-metragem “O Feitiço de Areia”, de Vanessa Ribeiro Rodrigues, que terá estreia mundial no Barreiro, propondo uma road trip documental por Moçambique que cruza arquivos coloniais com os desafios do presente. A sessão conta com a presença da realizadora, a 8 de novembro, às 17h30, nos cinemas do Barra Shopping.
O cartaz conta ainda com o regresso de Carlos Conceição com “Baía dos Tigres”, uma parábola distópica rodada em Angola. O realizador, que estará presente no festival, é um dos autores portugueses de maior projeção internacional da sua geração, somando estreias no Festival de Cannes (“Boa Noite Cinderela” e “Coelho Mau”), um regresso aclamado no Fórum da Berlinale (“Serpentário”) e a presença na competição oficial de Locarno (“Nação Valente”). A sessão tem lugar a 11 de novembro, às 21h30, no Auditório Municipal Augusto Cabrita.
No formato de curta-metragem, a seleção traz obras com forte ressonância social e geográfica:
“Rio Infinito” de Gonçalo Pina, exibido no prestigiado IDFA (Holanda), traça um retrato íntimo e visual dos milhares de trabalhadores que diariamente cruzam a linha do rio entre a Margem Sul e Lisboa.
“Vermelhos do Asfalto” de João Niza Ribeiro, selecionado para o Krakow Film Festival, aborda a precariedade da gig economy acompanhando a noite de um estafeta numa cidade sob a chuva.
“Dois e um Gato” de Patrícia Saramago, lança um olhar realista e sensível sobre a crise de habitação e a precariedade jovem na procura de teto na área metropolitana.
“A Solidão dos Lagartos” de Inês Nunes — com passagem pelo Festival de Cannes — explora os contrastes e os desejos que se cruzam entre banhistas num spa de montanhas de sal e o trabalho árduo dos salineiros.
“Onde Nascem os Pirilampos” de Clara Vieira, também selecionada em Cannes, leva o espectador a um acampamento de adolescentes guiados por um enxame misterioso rumo ao interior da floresta.
“Sol Menor” de André Silva Santos, apresentado em San Sebastián e no Curtas Vila do Conde, acompanha os rituais de luto e a rotina de um professor de música confrontado com a perda e a memória.
“Coroa de Espinhos” de Francisco Moura Relvas, vencedor do prémio Novo Talento no IndieLisboa, utiliza elementos distópicos para falar sobre a especulação imobiliária.
“Abril de Helena” de Maria Moreira e Victor Hugooli, vencedor do prémio MUTIM e Novíssimos no IndieLisboa, é um documentário sensível que acompanha Abril, uma mulher trans, que escolhe a mãe como cuidadora primária durante o processo de uma cirurgia de feminização facial.
“Filme Pin” de María Rojas Arias e Andrés Jurado, com passagem pela Berlinale, redimensiona objetos populares para evocar os espectros das lutas, do exílio e da solidariedade internacional contra o regime fascista.
“Couto” de Flávio Ferreira acompanha uma recenseadora dos Censos na busca pela última habitante de uma povoação remota. O filme chega agora ao grande ecrã após ter recebido o apoio à produção do Entre Olhares através da secção “Novos Olhares” em 2021, dedicada aos profissionais do setor.
A programação conta também com o lançamento das estreias mundiais de “No Azul Penumbra” (Tomás Basílio), “Brasas” (Baltazar Mello), “Abílio” (Diogo Lopes) e “Rádio-Luz” (Miguel José Pereira).
As Três Grandes Secções Temáticas
Além das secções competitivas, a programação divide-se em três eixos narrativos claros:
Olhar o Mundo: Um foco especial em dramas que exploram as complexidades humanas e sociais, este ano dedicado às mulheres como protagonistas do grande ecrã.
Narrativas em Contraste: É o quarto escuro do festival, dedicado aos filmes que expandem os limites da realidade, através do thriller, da comédia negra, da ficção científica e do absurdo.
Territórios: Viagens visuais e sonoras por arquivos, memórias e geografias políticas e culturais.
Uma das apostas desta edição é o lançamento da Secção Infantil, desenhada para crianças e famílias. Composta por uma seleção de curtas-metragens de animação, a nova secção pretende introduzir os mais novos à sala de cinema e ao contacto com a produção cinematográfica nacional. A sessão decorre no domingo, 8 de novembro, às 11h00, no cinema do Barra Shopping.
O Festival Entre Olhares decorre no Barreiro de 7 a 16 de novembro de 2026. O programa completo pode ser consultado no site do festival.