Filme sobre impacto da guerra no Sudão vence Grande Prémio Internacional de Vila do Conde
"Nothing Happens After Your Absence", de Ibrahim Omar dividiu os holofotes do palmarés com "From Silence to Word", de João Pedro Barriga, vencedor da Competição Nacional.
O filme sudanês “Nothing Happens After Your Absence”, de Ibrahim Omar, venceu o Grande Prémio Internacional do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. O triunfo na competição nacional foi para “From Silence to Word” do realizador João Pedro Barriga, anunciaram os organizadores ao início da noite de sábado.
Ibrahim Omar cruza a luta pela sobrevivência perante a eclosão da guerra civil no Sudão com os temas do exílio, memória, identidade frágil e o impacto da burocracia e das tradições locais.
Já “From Silence to Word”, assume o formato de filme-ensaio estruturado numa narrativa mitológica e centrado na memória do cinema português, na criação artística interrompida e na ligação poética com a paisagem transmontana.
Ainda na Competição Internacional, “Oh Boys”, de Antonio Donato, recebeu, a par de “How to Cook a Chicken Underground”, de Nacho Sánchez e Olivia Delcán, o prémio de Melhor Filme de Ficção e foi também selecionado para os European Film Awards Short Film Prix Vimeo Candidate 2027.
O palmarés da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde, que reuniu um total de 244 filmes de 44 países, inclui ainda o prémio de Melhor Documentário, atribuído a “Plan Contraplan”, de Radu Jude e Adrian Cioflâncă, e “Dernier Printemps”, de Mathilde Bédouet, prémio de Melhor Animação. “À quoi rêvent les Maknines”, de Sarra Ryma, foi o mais votado pelo público e recebeu o Prémio Audiência Internacional.
Na secção Take One!, dedicada a filmes realizados em contexto escolar, “Quelle Soif!”, de Francisco João, ganhou o prémio de Melhor Filme, enquanto o prémio de Melhor Realização foi atribuído a Clara Vieira, por “Onde Nascem os Pirilampos”, e “Morgenkreis”, de Basma Alsharif, venceu a Competição Experimental.
Na secção My Generation, dedicada a novas vozes e olhares sobre o cinema contemporâneo, o Prémio do Público foi atribuído a “Kiss Kiss Bang Bang”, de Ollie Launspach.
Inaugurado a 17 de julho, o certame, que tem o seu último dia no domingo, teve o realizador iraniano Mohammad Rasoulof em destaque na secção In Focus (‘Em Foco’) do Curtas, sendo-lhe dedicada uma retrospetiva de uma filmografia “profundamente marcada pela censura, pela repressão política e pela defesa da liberdade de expressão”.
O iraniano recebeu o Urso de Ouro em Berlim com “There Is No Evil” (2020), filmado clandestinamente no seu país, e tem sido alvo de críticas e perseguição pelo regime iraniano, desde pena de prisão à proibição de filmar.
A longa-metragem “A Semente do Figo Sagrado” (2024), a sua obra mais recente, foi incluída na programação, assim como “Iron Island” (2005) e “A Man of Integrity” (2017).