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31 Ago 2025

Esqueça os filmes clássicos de Frankenstein, em que o monstro tinha uma cabeça achatada, parafusos no pescoço e botas pesadas. A nova adaptação do romance clássico de Mary Shelley, “Frankenstein”, realizada pelo mexicano Guillermo del Toro, retrata uma criatura triste e sensível que anseia por afeto e conhecimento e que, em vez disso, é confrontada com raiva e ódio.

“Muitas das interpretações visuais da criatura são quase como vítimas de acidentes e eu queria beleza”, afirmou del Toro aos jornalistas no sábado, antes da estreia do filme no Festival de Cinema de Veneza.

Del Toro realiza o seu próprio argumento, contando a história de Victor Frankenstein (Oscar Isaac), um cientista arrogante que monta uma criatura a partir de partes de diferentes corpos e dá vida a um gigante indestrutível, mas gentil (Jacob Elordi).

O filme mostra o perigo da má utilização da tecnologia moderna, mas del Toro contesta a hipótese de estar a pensar em inteligência artificial quando escreveu o guião. “Não tenho medo da inteligência artificial. Tenho medo da estupidez natural, que é muito mais abundante”, explicou. “Vivemos numa época de terror e intimidação, sem dúvida. E a resposta, da qual a arte faz parte, é o amor”.

Ao contrário de muitos realizadores, del Toro evitou em grande parte os efeitos especiais computorizados e, em vez disso, construiu cenários luxuosos para a sua equipa de atores, que também incluí Christoph Waltz, Mia Goth e Felix Kammerer.

“Se os colocarmos (os atores) num laboratório real com janelas reais, com altura real, com baterias gigantes reais, eles estão a reagir a outro ator”, disse.

“O CGI é para os falhados”, acrescentou Waltz, entre risos.

Del Toro, conhecido por misturar fantasia e horror em filmes como “O Labirinto do Fauno”, confessou ser obcecado pelo romance de Mary Shelley, publicado pela primeira vez em 1818, desde criança, e que sempre quis criar a sua própria versão cinematográfica.

“Não queria era que sentissem que estavam a ver um clássico interpretado com reverência, mas com urgência, algo vivo e atual”, esclareceu sobre a narrativa humana da saga de terror, com o cientista a emergir como o verdadeiro monstro.

“Como se vive com um coração partido e o que se faz com um coração partido? Muitas vezes, a crueldade acontece a partir de corações partidos”, disse Isaac sobre a sua personagem.

O filme é um dos três títulos que a Netflix está a apresentar em Veneza. Os outros dois são “A House of Dynamite”, de Kathryn Bigelow, e “Jay Kelly”, de Noah Baumbach.

Espera-se que “Frankenstein” tenha uma estreia limitada nos cinemas norte-americanos em outubro, antes de passar diretamente para a plataforma de streaming da Netflix.

Del Toro disse que queria que o filme tivesse o maior lançamento possível nos cinemas, mas estava entusiasmado com a enorme audiência potencial da Netflix.

“Quero dizer, olhem para o meu tamanho. Quero sempre mais de tudo”, brincou o realizador, antes de acrescentar: “Para mim, a batalha que vamos travar para contar histórias é em duas frentes, obviamente o tamanho do ecrã, mas o tamanho das ideias é muito importante.”

“Frankenstein” é um dos 21 filmes que concorrem ao Leão de Ouro, que será entregue a 6 de setembro.

Foto: Jacopo Salvi – La Biennale di Venezia

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 31 Ago 2025 10:53

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