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09 Mai 2026

“Barrio Triste”, de Stillz, venceu o Grande Prémio de Longa-Metragem do festival IndieLisboa, segundo o palmarés hoje anunciado, que dá o Grande Prémio de Curta-Metragem a “How to Catch a Butterfly”, de Kiriko Mechanicus.

Na Competição Nacional, “Cochena”, de Diogo Allen, venceu o prémio de Melhor Longa-Metragem.

“Barrio Triste”, coprodução colombiana e norte-americana, passa-se em Medellín, em 1987, e centra-se em quatro adolescentes marginalizados que roubam uma câmara de filmar, para documentar uma “vida de violência e solidão”, como descreve a sinopse.

O filme, segundo o júri, dá uma “visão visceral e implacável de uma comunidade, num momento específico da história de um país”.

“Barrio Triste” é a primeira longa-metragem de Stillz (Matías Vásquez), realizador e fotógrafo norte-americano de origem colombiana, nascido em Miami há 27 anos, conhecido pelos vídeos de músicos como Bad Bunny, J Balvin e Rosalía, que já lhe garantiram a nomeação para os Grammy.

O filme, selecionado para os festivais de Veneza e Toronto, tem banda sonora da cantora venezuelana Arca, radicada em Barcelona, e vai chegar às salas portuguesas “ainda este ano”, segundo a distribuidora Filmin.

O júri do Grande Prémio de Longa-Metragem Cidade de Lisboa foi composto pelo historiador de cinema e programador Karel Och, a realizadora Rachel Daisy Ellis e a artista visual Sara Bichão, e também entregou uma menção especial a “Bouchra”, primeira longa-metragem da dupla Orian Barki e Meriem Bennani, sobre uma mãe e uma filha separadas pela distância entre Nova Iorque e Casablanca.

O Grande Prémio de Curta-Metragem foi para “How to Catch a Butterfly”, de Kiriko Mechanicus, “ensaio inquieto e formalmente ousado sobre o que a fetichização realmente produz”, segundo o júri formado pelos cineastas Gonzalo E. Veloso, Patrick Gamble e Raquel André, que também deu dois “prémios especiais” a “Henry is a Girl Who Likes to Sleep”, de Marthe Peters, e “The Apple Doesn’t Fall”, de Dean Wei.

Na Competição Nacional, o prémio de Melhor Longa-Metragem foi para “Cochena”, de Diogo Allen, “celebração sentida […], profundamente humanista e cinematográfica” dos laços familiares e sociais, segundo o júri formado pelos cineastas Aya Koretzky, Feyrouz Serhal e Jaume Claret Muxart.

“Cochena” também recebeu o prémio Universidades de Melhor Longa-Metragem.

Na Competição Nacional, foram ainda premiados “A Providência e a Guitarra”, de João Nicolau, como Melhor Realização em Longa-Metragem, e “A Solidão dos Lagartos”, de Inês Nunes, Melhor Curta-Metragem.

O prémio Novo Talento foi para “Coroa de Espinhos”, de Francisco Moura Relvas, e uma menção especial foi atribuída a “XYZ”, de Alexandre Alagôa.

“Abril de Helena”, de Maria Moreira e Victor Hugooli, venceu a competição Novíssimos, dedicada a novos valores do cinema português, e também o prémio Mutim, da associação Mulheres Trabalhadoras das Imagens em Movimento, que consagra a ‘curta’ desta secção “que melhor contribua para um imaginário cinematográfico não estereotipado no cinema português”.

Na competição Silvestre, para “novas linguagens”, o prémio de longa-metragem coube a “My Wife Cries”, de Angela Schanelec, e o de curta-metragem a “Lover, Lovers, Loving, Love”, de Jodie Mack.

O prémio IndieMusic foi para “Para Vivir – El Implacable Tiempo de Pablo Milanés”, do realizador e filho do fundador da ‘nueva trova’ cubana Fabien Pisani.

Nos prémios não oficiais foram também distinguidos “Mulheres de Abril”, de Raquel Freire (prémio Amnistia Internacional), “P’ra Que Vivam”, de Carlos Lima (prémio Árvore da Vida), e “Éramos Só Putos”, de João Nunes Monteiro (prémio Escolas para Melhor Filme Novíssimos).

A 23.ª edição do Festival Internacional de Cinema IndieLisboa teve início em 30 de abril, encerra no domingo, com a estreia nacional de “The History of Concrete”, de John Wilson, e, a dois dias do fim, segundo a organização, já tinha ultrapassado os 32 mil espectadores, batendo números de 2025.

  • LUSA
  • 09 de Maio de 2026, 20:28

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