Javier Bardem: a narrativa em relação a Gaza está a mudar
O ator espanhol rejeita a existência de represálias profissionais após os protestos contra a guerra em Gaza e afirma, no Festival de Cannes, que a mudança na perceção pública do conflito gerou um aumento de convites para novos projetos.
O ator espanhol Javier Bardem afirmou à AFP, durante o Festival de Cannes, que a defesa pública da Palestina não lhe prejudicou a carreira e que, pelo contrário, está a “receber mais trabalho do que nunca”, algo que atribui à mudança da perceção pública sobre a guerra em Gaza.
Na cerimónia dos Óscares de fevereiro, o protagonista de “Este País Não É Para Velhos” aproveitou a apresentação do prémio de Melhor Filme Internacional para declarar: “Não à guerra e Palestina livre.”
Bardem referiu que considera importante expressar posições políticas mesmo perante possíveis consequências profissionais, acrescentando que, no seu caso, isso não aconteceu: “É o contrário, ligam-me ainda mais porque a narrativa está a mudar.”
O ator comentou também que o debate público já não está “tão controlado por aqueles que sempre o controlaram” e defendeu que a sociedade reconhece “as consequências de apoiar ou justificar um genocídio como o que está a acontecer”.
As declarações surgem num contexto em que figuras de Hollywood como Susan Sarandon e Mark Ruffalo denunciaram alegadas represálias profissionais relacionadas com posições pró-palestinianas.
Bardem encontra-se em Cannes para apresentar “El Ser Querido”, novo filme do realizador espanhol Rodrigo Sorogoyen, no qual interpreta um cineasta regressado a Espanha para trabalhar com a filha, interpretada por Victoria Luengo. O filme aborda temas ligados ao colonialismo espanhol no Saara Ocidental, às tensões familiares e à masculinidade.
Durante a entrevista, Bardem falou ainda sobre patriarcado e masculinidade, afirmando que os homens devem questionar comportamentos e ideias herdadas: “Muitas das coisas com que fomos doutrinados estavam erradas.”