Morreu o realizador português João Canijo
O cineasta, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim em 2023 com "Mal Viver", morreu na sua casa em Vila Viçosa. Tinha 68 anos.
O realizador João Canijo morreu esta quinta-feira na sua residência em Vila Viçosa, aos 68 anos. Natural do Porto, Canijo era um dos nomes mais influentes da cinematografia nacional contemporânea.
Em 2023, cineasta conquistou o Urso de Prata — Prémio do Júri no Festival de Berlim com a longa-metragem “Mal Viver”. Ainda nesse ano, a sua carreira mereceu uma homenagem especial no festival Cineuropa, em Santiago de Compostela, onde recebeu um prémio pelo conjunto da sua obra.
O percurso de João Canijo fica marcado por títulos como “Sangue do Meu Sangue”, “Fátima”, ou o díptico constituído por “Mal Viver” e “Viver Mal”, obras que demonstram o seu método rigoroso de preparação com os intérpretes.
João Canijo trabalhava atualmente na pós-produção de dois novos filmes: “Encenação” e “As Ucranianas”. O primeiro projeto conta com a participação de colaboradores habituais do seu universo criativo, como Rita Blanco, Anabela Moreira, Beatriz Batarda e Miguel Guilherme.
O cineasta começou a trabalhar como assistente de realização nos anos de 1980, com Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e Wim Wenders. Assinou a primeira longa-metragem, “Três Menos Eu”, em 1988. Seguiu-se “Filha da Mãe” (1990) e a série televisiva “Alentejo Sem Lei”, no ano seguinte.
Desde então, trabalhou como produtor de cinema e encenador de peças de teatro. A sua obra cinematográfica dedicou-se a analisar a sociedade portuguesa dos últimos 40 anos, a partir de contextos familiares e sempre com personagens femininas marcantes.