Morreu Tim Curry, actor de “The Rocky Horror Picture Show”
Notabilizado pela voz de barítono, pela presença marcante no teatro e por uma vasta carreira no cinema onde encarnou alguns dos vilões mais exuberantes de Hollywood, o intérprete encontrava-se doente há vários anos, segundo confirmou quarta-feira o seu agente.
O ator britânico Tim Curry, conhecido pela voz de barítono e pelo papel de “travesti doce” que o tornou famoso no cinema no clássico de culto de 1975 “The Rocky Horror Picture Show”, morreu aos 80 anos. A causa da morte não foi divulgada de imediato, mas Curry encontrava-se doente há algum tempo. Morreu pacificamente na terça-feira, na sua casa, em Los Angeles, segundo o seu agente.
Curry participou em numerosos filmes, frequentemente como vilão exuberante, foi nomeado três vezes para um Tony pelos seus papéis na Broadway e deu voz a muitas personagens de filmes e séries de animação. Porém, o seu papel mais conhecido foi o de Dr. Frank N. Furter, na sua estreia no cinema, a extravagante comédia musical de terror “The Rocky Horror Picture Show”, ao lado de Susan Sarandon e Barry Bostwick.
Numa das cenas, Curry interpreta uma canção enquanto desfila com sombra de olhos e batom exuberantes, envergando um reduzido traje preto, meias pretas e ligas.
Numa entrevista televisiva em 1975, Curry reconheceu o risco de ficar associado a uma personagem tão extravagante — uma preocupação que se revelaria justificada. “Quando li o argumento, achei-o muito, muito inteligente e divertido”, disse Curry, embora tenha admitido alguma relutância inicial. “Quero dizer, hesitei porque, se resultasse, poderia ser difícil afastar-me disso. Mas sempre achei que não valia a pena aceitar um papel se não implicasse correr um risco”, afirmou.

Entre os seus outros filmes encontram-se “Os Anjos de Charlie” (2000), “A Ilha do Tesouro dos Marretas” (1996), “O Sombra” (1994), “Os Três Mosqueteiros” (1993), “Sozinho em Casa 2: Perdido em Nova Iorque” (1992), “Cluedo” (1985), “Lenda” (1985) e “Annie” (1982).
Curry realizou grande parte do seu melhor trabalho no palco. Foi nomeado para um Tony, a mais importante distinção da Broadway, em 1981, pelo papel de Mozart em “Amadeus”, sobre a relação do grande compositor com o seu rival Salieri. Recebeu também nomeações para os Tony em 1993, por “My Favorite Year”, e em 2005, pelo papel do Rei Artur no divertido musical “Monty Python’s Spamalot”.
Dono de uma rica voz de barítono, era muito procurado como ator de voz em filmes e séries de animação. Em 1991, ganhou um Daytime Emmy pelo seu trabalho de voz na série de animação “Peter Pan & the Pirates”.
Com o seu sorriso sinistro e gargalhada ameaçadora, Curry foi frequentemente escolhido por Hollywood para interpretar vilões — por vezes com uma componente cómica que lhe permitia fazer as interpretações exageradas pelas quais ficou conhecido. “Adoro esses papéis — são sempre os mais bem escritos”, disse Curry numa entrevista em 2011.
Admitiu que alguns dos seus filmes eram medíocres, destacando “Congo” (1995), uma história sobre minas de diamantes e gorilas assassinos. “Fui mesmo muito mau nesse filme”, afirmou Curry. “Ganhei um Razzie por uma das piores interpretações do ano — e mereci-o plenamente.”
Curry nasceu na aldeia inglesa de Grappenhall, Cheshire, a 19 de abril de 1946. O pai, capelão da Marinha Real britânica, morreu quando Curry tinha 12 anos. A mãe era secretária de uma escola.
Curry estudou representação na Universidade de Birmingham. Em 1973, conseguiu o papel de Dr. Frank N. Furter na versão teatral original londrina de “The Rocky Horror Show”. Interpretou a peça em Nova Iorque e Los Angeles antes de esta ser adaptada ao cinema, com o título “The Rocky Horror Picture Show”.
O filme não foi um sucesso imediato, mas conquistou um estatuto de culto através de sessões da meia-noite em Nova Iorque e noutras cidades, com espectadores que frequentemente se vestiam como as personagens de “Rocky Horror”.
Curry abandonou uma produção teatral britânica em 2011 devido a problemas de saúde. Em 2013, o seu agente revelou que tinha sofrido um acidente vascular cerebral, mas que estava a recuperar “com muito bom humor”. A partir daí, passou a usar uma cadeira de rodas e reduziu a atividade profissional. Em 2024, contudo, regressou ao grande ecrã com uma participação no filme de terror “Stream”.
Curry vivia em Los Angeles, nunca casou e não teve filhos. Compositor e cantor, também atuou com a sua própria banda de rock e lançou alguns álbuns.