Nastia Korkia vence Grande Prémio do Porto/Post/Doc com “Verão Curto”
O filme da realizadora russa Nastia Korkia, impôs-se pela abordagem poética à infância em plena Guerra da Chechénia.
O filme “Verão Curto” (Short Summer), da russa Nastia Korkia, que retrata a vida de uma menina de oito anos na Guerra da Chechénia, foi o vencedor do Grande Prémio da competição internacional do festival Porto/Post/Doc, anunciou hoje a organização.
“O júri da competição internacional decidiu atribuir o Grande Prémio Vicente Pinto Abreu a um filme que convoca a poesia, o simbolismo e a magia na construção de uma infância que transcende a materialidade da imagem e dos elementos”, pode ler-se na decisão, hoje conhecida.
Este filme, que se estreou no Festival de Cinema de Veneza, onde recebeu o galardão para melhor primeira obra, “surpreende e comove, ao mesmo tempo que incute terror”, numa zona marcada pela guerra.
O júri realçou ainda “a qualidade da seleção”, tendo ainda assim escolhido “Verão Curto” por unanimidade, sendo que o filme mereceu também o galardão do público jovem, atribuído por estudantes.
A cineasta russa, filha de uma realizadora de documentários e de um poeta, estreou-se em longas com “Verão Curto”, que também foi premiado na competição para novos realizadores do festival de Chicago.
O júri do Grande Prémio Vicente Pinto Abreu foi composto pela realizadora sueca Anna Eborn, a realizadora e produtora Filipa Reis e pelo realizador, jornalista e programador Frédéric Maire.
Na competição Cinema Falado, para obras nacionais e faladas em português, o júri premiou “A Última Colheita”, obra do cabo-verdiano Nuno Boaventura Miranda.
“Na comunidade cabo-verdiana de Lisboa, Gabriel, um rapaz de 13 anos assombrado pelas lembranças difusas do pai, encontra refúgio nos jardins escondidos da cidade. A mãe, Isabel, esforça-se por criá-lo sozinha enquanto trabalha em turnos noturnos, e Firmino, um agricultor idoso, chora a perda do seu milheiral”, pode ler-se na sinopse da obra.
Noutras categorias, o prémio Human Rights in Motion, para filmes ligados “aos valores dos direitos humanos, liberdade e democracia”, recaiu sobre “A Lei da Pedra”, de Danae Elon, que retrata o poder da arquitetura moderna na construção da cidade de Jerusalém.
“Apenas Mar”, de Franziska von Stenglin, triunfou na competição internacional de médias e curtas-metragens, enquanto Catarina Alves Costa viu “Orlando Pantera”, documentário sobre o músico cabo-verdiano com o mesmo nome, receber o prémio do público da secção Transmission, ligada à música.
O Prémio Cinema Novo, para estudantes e estreantes, foi para “Num Sopro”, de Catarina Couto Gonçalves, realizadora que também recebeu o Prémio MAD, para melhor cineasta desta secção.