“Playback” é o filme português mais visto do ano
O filme de Sérgio Graciano sobre o músico Carlos Paião somou 17.228 espectadores na primeira semana de exibição nas salas de cinema.
“Playback”, adaptação ao cinema da vida de Carlos Paião, foi visto por 17.228 espectadores nos primeiros sete dias nas salas, de acordo com dados estatísticos do Instituto do Cinema e do Audiovisual, uma audiência que gerou quase 119 mil euros em receita de bilheteira.
Desta forma, o filme realizado por Sérgio Graciano tornou-se a produção portuguesa mais vista do ano nos cinemas e supera a longa-metragem “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, que se estreou em abril e soma 9.208 espectadores.
“Playback” recorda e reinterpreta alguns dos momentos da vida e da carreira do músico Carlos Paião, como a passagem pelo Festival da Canção, a formação em Medicina e o casamento com Zaida Cardoso.
“Tentei fazer um musical que não fosse cantado, e com momentos narrativos que empurravam a história”, afirmou o realizador Sérgio Graciano em entrevista ao CINEMAX antes da estreia do filme.
“Playback” é protagonizado pelo ator Rafael Ferreira, escolhido num ‘casting’ entre mais de duas centenas de candidatos. O ator iniciou carreira em 2017, tem experiência em teatro, cinema e televisão, mas considera que este é o seu “primeiro trabalho de maior destaque e também uma grande responsabilidade”, pela homenagem que presta ao músico, como recordou à Lusa em dezembro passado, durante a rodagem.
“Playback” conta ainda com interpretações de Laura Dutra, Beatriz Brás, Mariana do Ó, Rita Durão, António Mortágua, Anabela Moreira e Albano Jerónimo, entre outros.
A banda sonora é assinada pelo músico Paulo Furtado, ou The Legendary Tigerman, que ‘retrabalhou’ as canções de Carlos Paião, com os músicos que habitualmente o acompanham e também com o ator Rafael Ferreira.
Entre as músicas de Carlos Paião escolhidas para a banda sonora há um inédito, “Lisboa Lisboa”, que o cantor nunca chegou a editar e que, segundo Paulo Furtado, “é uma canção de amor dedicada a Lisboa”, como descreveu à Lusa em julho, quando tocou com Rafael Ferreira no festival Alive, em Oeiras.
A produção da Caos Calmo tem argumento de Mário Cenicante e contou com a colaboração de Zaida Cardoso, a mulher de Carlos Paião.
Carlos Paião nasceu em 1 de novembro de 1957, em Coimbra, e morreu a 26 de agosto de 1988, na sequência de um acidente de automóvel. No meio destas duas datas, estava um homem que estudou Medicina, mas que se decidiu pela música, tendo composto mais de duas centenas de canções, muitas das quais já integradas no cancioneiro pop português.
Compôs, entre outras, “Cinderela”, “Pó de arroz”, “Vinho do Porto”, “Souvenir de Portugal” e “Playback”, e deixou os álbuns “Algarismos” (1982) e “Intervalo” (1988).
Ao longo da carreira, colaborou com o humorista Herman José – escreveu para ele as canções da personagem Serafim Saudade – e também com Amália Rodrigues, Lenita Gentil e Mísia, entre outros cantores.