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12 Jun 2026

O Shortcutz regressa ao Porto, em parceria com o Coliseu. Durante a semana de 15 a 19 de junho, o movimento transnacional dedicado a promover curtas-metragens e jovens criadores apresenta “Éme, nome de Porto”. Um ciclo comentado de filmes de realizadoras ligadas ao Porto e às margens afetivas, geográficas e simbólicas que atravessam as suas obras.

Durante cinco noites, o Shortcutz Coliseu ocupa o Passos Manuel com um percurso curatorial construído a partir de diferentes aproximações ao Manifesto, Mar, Memória, Murmúrio e Mitologia, traduzido numa programação de cinema contemporâneo, concertos, cine-concertos e DJ sets, assinada pelo programador de cinema Tiago Alves.

Mais do que um ciclo temático, “Éme, nome de Porto” funciona como uma deriva coletiva: um território onde os filmes dialogam entre si através de atmosferas, intuições e relações invisíveis.

A entrada é livre mediante apresentação de bilhetes que podem ser levantados a partir de 11 de junho, na bilheteira do Coliseu do Porto.

Programa:

J’EXISTE PORTO, de Patrícia Sobreiro.

15 JUN | MANIFESTO

Concerto REGINA, por Laura Rui, Clara Maio e SUSPIRO

Regina surge da metamorfose manifestada pelo eco das mulheres que ficam na memória do tempo — das que falaram quando lhes pediam silêncio, das que amaram sem licença, das que, com a sua força discreta, abriram caminhos. Regina Tavares da Silva é uma dessas mulheres que lutou (e luta) por um futuro de igualdade e liberdade para tod@s.

Em palco, Regina – projeto musical criado por Clara Maio e Laura Rui – transforma-se numa experiência visceral, onde a música não quer apenas ser ouvida, quer ser sentida como uma conversa antiga entre mulheres que nunca deixaram de existir umas nas outras.

J’EXISTE PORTO, de Patrícia Sobreiro | Documentário| 10’26’’ | 2024

Curta-metragem biográfica e intimista baseada na experiência de várias viagens à cidade do Porto. As pessoas, os lugares, as reflexões ao longo do caminho.

MMM – música, mulheres, musas

As mulheres inspiram o DJ set de Lara Soft, uma das partes da dupla Gigi, que ao longo de mais de 20 anos fixou residência mensal no Porto.

 

16 JUN | MAR

Do litoral à memória afetiva, o mar surge como espaço emocional, paisagem e território de observação.

 

SUAVE MAR, de Sara N. Santos | Documentário, Ficção | 15’00 | 2025

Um homem recorda a mãe. Ela costumava falar-lhe de um lugar mítico, a praia. Em Suave Mar, o banheiro mergulhava as crianças nas ondas entre gritos e gargalhadas, as rendas e os fatos de banho estavam na moda e as pessoas pediam ao mar para viverem para sempre. Enquanto isso, o fotógrafo percorria o areal na tentativa de registar uma sociedade à beira da decadência.

A VER O MAR, de Ana Oliveira e André Puertas | Documentário| 25’00 | 2017

O título deste documentário joga com o nome da localidade onde decorre a ação, A Ver-o-Mar, e a prática que é retratada: pessoas que passam longos períodos de tempo dentro de um automóvel a observar o mar e as pessoas que passeiam naquela marginal. Este é afinal um hábito partilhado entre diferentes gerações, entre diferentes casais, que aproveitam aqueles momentos para consolidar a sua intimidade, em gestos que se repetem e que o filme revela como naturais.

 

17 JUN | MEMÓRIA

Dois filmes atravessados pela memória, pela passagem do tempo e pelas relações entre corpo, arquivo e identidade.

 

SALTO, de Ana Castro | Documentário| 12’43” | 2025

Entre o peso da história e a leveza da memória, há um salto que nunca termina. Em SALTO, a realizadora revisita as histórias vividas e transmitidas pela sua avó, Rosalina de Castro, entrelaçando memória pessoal e coletiva. Através de imagens de arquivo pessoal, testemunhos e filmagens contemporâneas, o filme traça o percurso das primeiras mulheres paraquedistas civis em Portugal, revelando a sua coragem e os ecos de um passado que ainda ressoa.

KORA, de Cláudia Varejão | Documentário| 29’00” | 2024

KORA traça a silhueta de mulheres refugiadas a viver em Portugal. Em comum entre si, trazem o passado no corpo e nas palavras, bem como aqueles que amam impressos em retratos. A partir dessas memórias, acedemos ao olhar íntimo e político de quem reconstrói o (seu) presente.

 

18 JUN | MURMÚRIO

Maria João Sousa é uma cineasta portuguesa natural do Porto e radicada em São Miguel, Açores. As três curtas-metragens que exibimos em estreia no Porto refletem a necessidade de observar, ouvir e tocar para partilhar sensações através do cinema.

 

MOVIMENTO. DIM∑NSÃO. IMPACTO, de MJ Sousa | Documentário| 04’40 | 2024

E se os rastos do movimento fossem visíveis? Observação de movimentos que oscilam a matéria em padrões comportamentais que perduram no tempo e no espaço, criando impactos em todas as dimensões.

CÓCEGAS NA TERRA, de MJ Sousa | Documentário| 15’30 | 2023

Quem passa em Santa Clara pode contemplar a visão de um estendal de linhas cintilantes ao mesmo tom do reflexo dos peixes no mar. Mas estas linhas movem-se na terra. Quem as constrói também está na terra, mas vive ao ritmo do mar. As mãos humanas marcam o compasso com a natureza que os envolve. Encostam as suas linhas do mar na terra e com o vento, dançam juntos a mesma melodia.

SABRINA, de MJ Sousa | Documentário| 29’30 | 2025

O processo de preparação do concurso de beleza para vacas e vitelas, o XIX Concurso Micaelense Raça Holstein Frísia. Uma viagem em família com ritmos e emoções, contada através do ponto de vista de uma vaca chamada Sabrina.

 

19 JUN | MITOLOGIA

Um cine-concerto em estreia, entre o simbólico, o ritual e a travessia, onde música e imagem dialogam ao vivo, acompanhando Gastão, o barqueiro do Douro.

 

CARONTE, de Tânia Gomes Teixeira | Ficção| 106’00 | 2025 (com JP Coimbra ao vivo)

No rio Douro, especialmente nas pontes que ligam as cidades do Porto a Vila Nova de Gaia, regista-se uma elevada ocorrência de suicídios, maioritariamente de homens e mais acentuada durante os meses de inverno. Na mitologia grega, Caronte é o barqueiro de Hades cuja tarefa é transportar as almas dos que acabaram de morrer através das águas do Aqueronte, muitas vezes traduzido como o “rio do infortúnio”.

Neste lugar, e porque “nem todos querem ser salvos, mas alguém tem de os trazer de volta”, Gastão, também ele barqueiro, dedica seis dias da sua semana à vigília do rio. Comparado a Caronte pela realizadora Tânia Gomes Teixeira, a missão dele não é salvar os que se lançam à morte, mas recuperar os seus corpos e devolvê-los às famílias, para que lhes seja possível fazer o luto.

  • CINEMAX - RTP
  • 12 de Junho de 2026, 08:43

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