Em casa
BRONCO BILLY (1980)
Clint Eastwood tem a sua carreira pontuada por muitos westerns, mas nenhum como "Bronco Billy": interpretando uma figura de um circo que evoca as aventuras do velho Oeste, Eastwood revisitava os artifícios do mito para descobrir a crueza da realidade.
27 Dez 2021 0:07
A música de Ennio Morricone para os westerns de Sergio Leone ficou como um emblema do próprio Clint Eastwood. Lembremos os acordes de "O Bom, o Mau e o Vilão", produção de 1966 que, por assim dizer, selou o capítulo italiano da carreira daquele que, na altura, era uma vedeta de televisão, graças à série "Rawhide"…
… mas, como bem sabemos, não encerrou as suas aventuras pelas paisagens do western, depois interpretando e dirigindo, por exemplo, "O Pistoleiro do Diabo" (1973), e "O Rebelde do Kansas" (1976). Afinal de contas, como diz a canção "Cowboys and Clowns", interpretada por Ronnie Milsap, toda a gente gosta de cowboys e palhaços…
"Cowboys and Clowns" serve, assim, de abertura a "Bronco Billy" (1980), um western bem diferente em que Clint Eastwood voltou a acumular as funções de protagonista e realizador. É aquilo que podemos designar como um western "contemporâneo", ou melhor, um drama sobre um circo que tem como trunfo principal a encenação de quadros mais ou menos pitorescos do velho Oeste.
Famoso por ser o mais rápido atirador do Oeste, Bronco Billy já não é um verdadeiro herói, antes um simulacro de herói que vive na arena do circo as glórias impossíveis de repetir na vida real. Dito de outro modo: "Bronco Billy" é um filme sobre o envelhecimento. Clint Eastwood tinha na altura 50 anos e, de alguma maneira, antecipava essa sensação amarga do tempo que passa que foi marcando alguns dos filmes que se seguiram, incluindo outro western, "Imperdoável", grande vencedor dos Oscars referentes a 1992.
"Bronco Billy" reflecte, afinal, o sentido crítico e auto-crítico de Clint Eastwood. Por um lado, ele sabe que não pode representar eternamente o mesmo tipo de heróis; por outro lado, mantém-se fiel a um universo em que estão as suas raízes culturais e também, em boa verdade, as raízes da sua carreira profissional. "Bronco Billy" é, por isso, um filme amargo e doce, feito de celebração e mágoa — tal como numa das canções da sua banda sonora: "Misery and Gin", por uma voz lendária da música country, Merle Haggard.
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