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16 Fev 2026

O realizador palestiniano Kamal Aljafari vai estar este mês no Porto a propósito de uma retrospetiva que o Batalha Centro de Cinema lhe dedica, apresentando-o como alguém que “expande os limites do cinema documental e ensaístico”.

De acordo com o Batalha, a retrospetiva decorrerá entre 25 de fevereiro e 29 de março, contando com a presença do cineasta logo no arranque, numa sessão para refletir “sobre o seu percurso cinematográfico e partilhar a sua visão do cinema como espaço de memória e reconstrução”.

Um dos filmes desta retrospetiva é “With Hasan in Gaza”, que em outubro passado abriu o festival DocLisboa, descrito como “uma reflexão cinematográfica sobre a memória, a perda e a passagem do tempo, registando uma Gaza antiga e vidas que talvez nunca mais se encontrem”.

No filme, Kamal Aljafari recuperou imagens de vídeo feitas em 2001 com um guia, Hasan, numa viagem ao longo da Faixa de Gaza à procura de Abdel Rahim, um homem que o realizador conheceu na adolescência, em 1989, quando esteve numa prisão israelita.

Kamal Aljafari esqueceu-se dessas filmagens e só deu com as cassetes mais de duas décadas depois, montando este filme, que é um fresco sobre Gaza do passado e do presente, já exibido em festivais em Locarno e Toronto.

Para o Batalha Centro de Cinema, Kamal Aljafari está focado na construção de um “contra-arquivo”, “onde histórias e presenças sistematicamente silenciadas pela ideologia sionista são reinscritas e devolvidas ao mundo, afirmando a resistência da memória face ao apagamento”.

Outro dos filmes desta retrospetiva é “A Fidai Film” (2024), num gesto de restituição simbólica a partir de imagens que foram saqueadas do Centro de Investigação Palestiniano, em Beirute, e cujo arquivo foi apreendido por Israel na intervenção militar no Líbano, em 1982.

Destaque ainda para a inclusão de “The Roof” (2006), primeira longa-metragem a exibir no encerramento deste ciclo, e que documenta uma viagem do realizador desde a Alemanha, onde vive, até Ramla e Jafa, onde moram os seus familiares.

“Entre documentário e memória cinematográfica, o filme — cujo título alude ao telhado inacabado da casa onde a família se reinstalou — oferece uma reflexão sensível sobre identidade, herança e ausências que atravessam gerações”, descreveu o Batalha.

  • LUSA
  • 16 Fev 2026 14:30

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