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15 Mai 2026

O realizador polaco Pawel Pawlikowski afirmou querer mostrar as complexidades da História, em vez de impor uma narrativa excessivamente simplista, com “Fatherland”, o filme apresentado em competição no Festival de Cannes sobre o regresso do escritor Thomas Mann à Alemanha do pós-guerra.

“Muitos filmes históricos que vejo têm uma tese muito clara e organizam a História de acordo com a narrativa que os seus autores nos querem vender”, declarou o cineasta aos jornalistas na sexta-feira, um dia após a estreia.

“Eu tento apenas mostrar como tudo isto é complicado, o que considero algo muito saudável para transmitir às pessoas hoje em dia”, acrescentou. “Quando alguém tem a certeza absoluta de que a sua narrativa está certa, isso é perigoso.”

Passado em 1949, “Fatherland” acompanha Thomas Mann, interpretado por Hanns Zischler, na primeira visita à Alemanha desde que fugira do regime nazi, para receber o Prémio Goethe, batizado em honra de outro dos grandes escritores alemães. Mann, já distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, decide visitar tanto Weimar, na Alemanha de Leste, como Frankfurt, cidade natal de Goethe situada no Ocidente, numa tentativa de se elevar acima da divisão ideológica da Guerra Fria entre comunismo e capitalismo.

O escritor faz-se acompanhar pela sua filha Erika, interpretada por Sandra Hüller, que se encontra profundamente abalada pelo luto após a morte do irmão, Klaus.

“Fatherland” foi rodado na Polónia com cenários autênticos da época, o que contribuiu para a “presença da história”, disse Hüller à Reuters na sexta-feira, um dia após a estreia.

A atriz alemã crê que o trauma do pós-guerra na Alemanha se torna tangível através do filme: “É algo que permanece nos nossos corpos, fruto da destruição ocorrida na Segunda Guerra Mundial e que se reconhece ao ver o filme”, referiu. “De certa forma, toca-nos nesse ponto, mesmo que não estivéssemos presentes nessa época.”

“É um filme sobre emoções reprimidas. Não era um mundo em que as pessoas falassem dos sentimentos como acontece hoje”, afirmou Pawlikowski, cuja anterior participação em Cannes, “Guerra Fria”, lhe valeu o prémio de melhor realizador antes da nomeação para os Óscares.

Filmado a preto e branco e falado em alemão e noutras línguas, “Fatherland” é um dos 22 títulos em competição pela Palma de Ouro, o principal prémio do Festival de Cannes, que será entregue a 23 de maio.

  • Reuters
  • 15 de Maio de 2026, 15:00

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