Jessie Buckley ganha o Óscar de Melhor Atriz e faz história no cinema irlandês
A irlandesa venceu no domingo o Óscar pelo desempenho em "Hamnet" e tornou-se a primeira mulher do seu país a conquistar o galardão de Melhor Atriz. Num discurso emocionado, dedicou a vitória à maternidade.
Jessie Buckley conquistou no domingo o seu primeiro Óscar, ao vencer o prémio de Melhor Atriz pela interpretação da esposa de William Shakespeare em “Hamnet”, filme baseado no romance de Maggie O’Farrell e adaptado para cinema pela própria autora e pela realizadora Chloé Zhao.
Durante o discurso de aceitação, a atriz, que no filme interpreta uma mãe, destacou que a cerimónia dos Óscares coincidiu com o Dia da Mãe no Reino Unido. Referiu ainda que os seus pensamentos estavam com a filha de oito meses. “É uma coisa importante”, afirmou Buckley, rendendo homenagem ao amor singular das mães e sublinhando que “todos descendemos de uma linhagem de mulheres que continuam a criar contra todas as adversidades”.
A atriz irlandesa dá vida a Agnes Hathaway, uma mulher de espírito livre que, ao lado de William Shakespeare — interpretado por Paul Mescal —, enfrenta o luto pela morte do filho de 11 anos.
Com 36 anos, Buckley iniciou o percurso artístico aos 17, quando participou num concurso da BBC que procurava novos talentos para o West End londrino, intitulado “I’d Do Anything”. O júri elogiou-lhe a voz, embora alguns a considerassem pouco feminina.
Em 2018, destacou-se no filme “Wild Rose”, sobre uma aspirante a cantora de música country, papel que lhe valeu uma nomeação para os prémios BAFTA. Entre os seus trabalhos seguintes contam-se “Women Talking” e “The Lost Daughter”.
No pequeno ecrã, participou nas séries “Chernobyl” e na quarta temporada de “Fargo”. No teatro londrino, a sua interpretação de Sally Bowles na reposição de “Cabaret” rendeu-lhe o Prémio Laurence Olivier de Melhor Atriz em Musical.
A vitória nos Óscares era amplamente esperada, depois de Buckley vencer outros prémios importantes em Hollywood.
Atualmente, Buckley interpreta a noiva de Frankenstein no filme “A Noiva!”.
Vitória celebrada na Irlanda
Natural do condado de Kerry, no sudoeste da Irlanda, Buckley tem sido motivo de grande orgulho em Killarney, a sua terra natal, que acompanha com entusiasmo o percurso da atriz desde os primeiros passos no teatro local até ao estrelato.
A mãe da atriz, Marina, é uma cantora e harpista conhecida em Killarney. Buckley integrou desde cedo a Killarney Musical Society, onde começou a afirmar o talento que mais tarde a levaria a Hollywood.
Marie Moloney, membro de longa data da sociedade, descreveu à Reuters um ambiente “eléctrico” na cidade. Recorda Buckley como “um prazer de trabalhar”, uma jovem esforçada e recetiva à orientação. “Entrou para o coro infantil em 2000. Em 2008, com 17 anos, voltou a fazer audição e conseguiu o papel principal em Carousel como Julie Jordan”, relembrou Moloney. Esse papel valeu-lhe o prémio de Melhor Atriz nos AIMS, os galardões amadores da Associação das Sociedades Musicais Irlandesas.
Jessie Buckley tornou-se a primeira mulher irlandesa a conquistar o Óscar de Melhor Atriz. Até agora, apenas Saoirse Ronan e Ruth Negga tinham sido nomeadas na categoria. Buckley já fora nomeada para Melhor Atriz Secundária em 2022, por “The Lost Daughter”.
Cillian Murphy tinha feito história dois anos antes, ao tornar-se o primeiro ator nascido na Irlanda a vencer o Óscar de Melhor Ator, por “Oppenheimer”.
A presidente irlandesa, Catherine Connolly, saudou a vitória de Buckley, classificando-a como “um momento histórico”. “Esta conquista é um testemunho merecido, não só da atuação excecional de Jessie em Hamnet, mas também do seu percurso consistente no cinema e no teatro”, afirmou. “Sei que a sua comunidade em Kerry e além dele partilha com ela este momento de celebração.”