Peter Jackson distinguido com a Palma de Ouro de Honra em Cannes
O realizador neozelandês recebe o prestigiado galardão na abertura da 79.ª edição do festival, a 12 de maio de 2026. A distinção celebra uma carreira marcada pela revolução tecnológica no cinema e pelo sucesso global das adaptações da obra de J.R.R. Tolkien.
A organização do Festival de Cannes anunciou a atribuição da Palma de Ouro de Honra a Peter Jackson, sucedendo a figuras como Agnès Varda, Marco Bellocchio, Robert De Niro, Meryl Streep e Jodie Foster.
O tributo reconhece o percurso de um cineasta que fundiu a escala dos grandes estúdios de Hollywood com uma visão artística singular. A cerimónia de entrega ocorre no arranque da próxima edição do certame, que decorre entre 12 e 23 de maio de 2026.
A relação entre o cineasta e a passadeira vermelha da Riviera Francesa remonta a 1988, com a apresentação de “Bad Taste”, mas o vínculo estreitou-se em 2001. Naquele ano, a exibição de 26 minutos inéditos de “The Fellowship of the Ring” dissipou o ceticismo da crítica e antecipou o fenómeno mundial da saga da Terra Média. A trilogia, rodada na Nova Zelândia, acumulou 17 Óscares e gerou receitas superiores a três mil milhões de dólares.
Peter Jackson destaca-se pelo equilíbrio entre a audácia digital e as técnicas clássicas de encenação. O realizador coordenou equipas de milhares de técnicos e figurantes para dar vida a cenários complexos como as Minas de Moria ou o Abismo de Helm, mantendo a fidelidade ao espírito literário original. Além do universo de Tolkien, que revisitou com a trilogia “The Hobbit”, Jackson assinou a nova versão de “King Kong” em 2005.
Recentemente, dedicou-se ao restauro documental de grande escala. Em “They Shall Not Grow Old”, recuperou arquivos da Primeira Guerra Mundial e na minissérie “The Beatles: Get Back”, organizou dezenas de horas de imagens inéditas do quarteto de Liverpool.
Este regresso a Cannes assinala o reconhecimento de um contador de histórias que, segundo a direção do festival, alterou a conceção moderna de espetáculo e elevou o género da fantasia heroica a um novo patamar de prestígio internacional.