crítica
Família, sociedade & comédia
Apresentado na Festa do Cinema Italiano, "Se Deus Quiser" pode simbolizar uma tendência que, felizmente, não desapareceu da paisagem do cinema que se faz em Itália — em causa está o gosto em recuperar a grande tradição da comédia.
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14 Abr 2017 1:35
O filme "Se Deus Quiser", de Edoardo Falcone, foi escolhido para encerrar a 10ª edição da Festa do Cinema Italiano. E há que reconhecer que foi uma opção carregada de simbolismo: aqui está, de facto, um objecto que, para além das suas limitações, reabre uma hipótese de ligação com uma das mais genuínas tradições do cinema italiano — a tradição da comédia.
Toda a arte deste modelo de narrativas consiste em transfigurar as peripécias iniciais num tecido de atribulações que, através do humor, vai expondo as linhas de clivagem familiares e sociais. É bem verdade que "Se Deus Quiser" vai cedendo, por vezes, a algumas facilidades caricaturais; mas não é menos verdade que, apesar de tudo, preserva um grau de verosimilhança que nos aproxima de todas aquelas personagens.