Uma felicidade utópica
Eis um pequeno grande filme que merece ser descoberto: "Pop Aye" vem de Singapura e narra a peculiar relação de um homem e um elefante — ganhou um prémio no Festival de Sundance.

Será que ainda há filmes que possamos ver e, sobretudo, querer ver apenas porque são filmes sensíveis, inteligentes, tocando em temas universais?… Será que ainda temos mente e disponibilidade para ver um filme, não pelos efeitos especiais que aplica, nem pelos prémios que ganhou ou pode ganhar?… A resposta é afirmativa — "Pop Aye", co-produção Singapura/Tailândia é um desses filmes.
Realizado por Kirsten Tan, uma jovem cineasta de Singapura, "Pop Aye" é a história insólita de um arquitecto de nome Thana (Thaneth Warakulnukroh) que, um dia, num espectáculo de rua, redescobre Pop Aye, o elefante que conheceu na infância, na sua aldeia — uma memória calorosa que o faz repensar nas alegrias desse tempo, em contraste com as regras de competição e lucro do universo profissional em que se move.
O reencontro é de tal modo emocionante que Thana decide comprar Pop Aye ao seu dono e empreender uma viagem até à sua aldeia, para devolver o elefante ao seu elemento natural (Thana dera-lhe o nome, por associação com uma cena de um desenho animado de Popeye que, em criança, viu na televisão). O filme de Kirsten Tan é, afinal, o relato dessa viagem de regresso às origens, na procura de uma felicidade distante, à beira da utopia…
"Pop Aye" distingue-se, acima de tudo, como um filme que acredita na história que está a contar: as motivações das personagens, o desencanto dos lugares por onde passam, enfim, a nostalgia de uma natureza primordial definem, afinal, uma singela fábula sobre os prós e contras da civilização. E para que não se diga que estamos perante um filme "anónimo", sem qualquer reconhecimento, lembremos que "Pop Aye" passou no prestigiado Festival de Sundance, aí arrebatando o prémio de melhor argumento na categoria de drama.