Saltar para o conteúdo principal
  • Chuck Norris
  • , (1940-2026)

20 Mar 2026

Chuck Norris, antigo campeão de artes marciais e herói dos filmes de ação dos anos 1980 que enfrentou vilões em “Desaparecido em Combate” e “Delta Force”, e defendeu a lei na série “Walker, O Ranger do Texas”, morreu na quinta-feira, anunciou a família num comunicado publicado na conta oficial do ator no Instagram. “Embora preferíssemos manter as circunstâncias em privado, saibam que estava rodeado pela família e partiu em paz”, lia-se na mensagem.

Seis vezes campeão mundial de Karaté Profissional na categoria de pesos-médios, Norris foi hospitalizado no Havai na quinta-feira, avançou o jornal norte-americano Variety.

Norris protagonizou mais de duas dezenas de filmes, interpretando solitários silenciosos, soldados, agentes da autoridade, veteranos e heróis americanos que capturavam criminosos, libertavam prisioneiros de guerra, resgatavam reféns e combatiam terroristas.

Com os seus pontapés giratórios, enfrentou o ícone das artes marciais Bruce Lee no filme de 1973 ” Fúria do Dragão”, que marcou a sua estreia no cinema. Num dos seus últimos grandes trabalhos, juntou-se a Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis para derrotar o vilão vivido por Jean-Claude Van Damme no sucesso de bilheteira “Os Mercenários 2” (2012).

Conhecido por escapar a balas, aplicar pontapés certeiros e derrubar múltiplos inimigos de uma só vez, Norris construiu uma imagem de macho que o tornou um sucesso de bilheteira e uma estrela da televisão.

Entre 1993 e 2001, interpretou o sargento Cordell Walker, ex-fuzileiro naval, íntegro agente da lei e perito em artes marciais na popular série “Walker, O Ranger do Texas”.

Com a sua barba característica tornou-se um ícone da cultura popular em 2005, quando um estudante americano criou os Chuck Norris Facts, piadas online sobre a sua força física e masculinidade que se tornaram virais e inspiraram vários livros. Entre as mais conhecidas estavam “Chuck Norris bebe um copo de pregos ao pequeno-almoço” e “Chuck Norris não faz flexões; empurra a Terra para baixo.”

Carlos Ray Norris nasceu a 10 de março de 1940, em Ryan, Oklahoma, e era o mais velho de três irmãos. A família mudou-se para a Califórnia após o divórcio dos pais.

Era extremamente reservado e introvertido, algo que atribuiu ao alcoolismo do pai e à pobreza familiar. “Na escola, era tímido e inibido”, escreveu nas suas memórias de 2004, “Against All Odds: My Story”. “Se o professor me pedia para recitar algo em voz alta, limitava-me a abanar a cabeça em sinal de recusa.”

Norris também não era um atleta nato. Teve de treinar arduamente para se tornar campeão de artes marciais. Após terminar a escola, alistou-se na Força Aérea dos EUA, em 1958. Durante o tempo que passou estacionado na Coreia do Sul, aprendeu Tang Soo Do (uma forma de Karaté) e outras artes marciais.

Após regressar à Califórnia, começou a ensinar artes marciais e venceu várias competições de relevo. O ator Steve McQueen foi seu aluno e incentivou-o a tentar a carreira de ator. “Disse-me que devia procurar projetar uma presença e nunca aceitar papéis com muito diálogo”, contou Norris ao New York Times, em 1985. “Disse-me: ‘O cinema é visual, e quando tentas verbalizar demasiado, perdes o público.’”

Os filmes de Norris renderam milhões e tornaram-no uma figura popular entre os militares americanos. Em 2006 e 2007 visitou o Iraque para demonstrar apoio às tropas dos EUA.

Em 1990, fundou a sua própria disciplina de artes marciais, o Chun Kuk Do, e criou a organização sem fins lucrativos “Kickstart Kids”, que ensina artes marciais e autoestima a crianças.

Conservador e cristão devoto, colaborou com a National Rifle Association (NRA) que o livre uso e venda de armas, e foi colunista do WorldNetDaily, um site noticioso e de opinião de extrema-direita.

Além das suas memórias, publicou “The Secret of Inner Strength – My Story”, um guia de autoaperfeiçoamento, vários livros sobre fitness e artes marciais e dois romances — “The Justice Riders” (2006) e a sequela “A Threat to Justice”.

Foi casado duas vezes e teve cinco filhos.

Norris sempre defendeu os seus filmes perante críticas de que promoviam a violência. Se forem bem escritos, dizia, os filmes de ação podem contar uma história tão eficazmente quanto quaisquer dramas ou romances. “Depende da forma como é feito. Não defendo a violência pela violência”, afirmou ao Los Angeles Times em 1994. “O que o público aprecia é o facto de o herói vencer no final.”

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 20 Mar 2026 15:21

+ conteúdos