“La Bola Negra”: fresco LGBT através das épocas
Inspirado numa obra inacabada de Federico García Lorca, o novo filme dos realizadores conhecidos como “Los Javis” entrelaça três narrativas marcadas pelo segredo e pela homofobia, desde a década de 1930 até à atualidade.
Segunda longa-metragem da dupla conhecida como “Los Javis”, formada por Javier Calvo e Javier Ambrossi, “La bola negra” atravessa diferentes períodos históricos para retratar amores homossexuais reprimidos pela vergonha e pelo segredo.
O filme começa durante a Guerra Civil espanhola e alterna constantemente entre o passado e a atualidade, construindo um retrato de relações marcadas pela ocultação e repressão social.
“É importante que um filme como este esteja em competição em Cannes com dois realizadores gays e três protagonistas gays interpretados por atores assumidamente gays”, afirmaram os cineastas à AFP.
Os dois realizadores mantiveram uma relação amorosa até há pouco tempo.
Segundo os autores, “La bola negra” — título inspirado numa obra inacabada de Federico García Lorca, fuzilado em 1936 — transmite “a mensagem de que não haverá retrocessos” nos direitos LGBT.
O filme entrelaça três narrativas: a de um jovem excluído de um clube elitista em 1932 devido à sua homossexualidade; o nascimento do desejo entre dois soldados inimigos durante a Guerra Civil espanhola; e a investigação conduzida, em 2017, por um jovem historiador gay em busca da verdade.
Penélope Cruz surge numa participação especial como musa de soldados republicanos, numa aparição que Thierry Frémaux, delegado-geral do Festival de Cannes, descreveu como “breve mas inesquecível”.
“Ela é a grande estrela que todos conhecemos, mas, ao mesmo tempo, uma atriz que, com enorme humildade, pergunta ao realizador: ‘Como queres que faça? Estou a fazer bem?’”, recordaram os dois cineastas.
“Queríamos que o filme mantivesse a sua essência LGBT, mas que fosse também ambicioso e não destinado apenas a um público restrito. A presença de Penélope contribui para isso”, acrescentaram.
“La bola negra” integra a forte presença do cinema espanhol nesta edição de Cannes, onde três produções competem pela Palma de Ouro, atribuída na cerimónia de encerramento de sábado.