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25 Mar 2026

Os filmes “Virgem Fandango”, de Marcy Page, e “Porque Hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães, foram selecionados para a 68.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, o evento mais importante do mundo dedicado ao cinema de animação, que decorre anualmente na cidade francesa.

“Virgem Fandango”, produzida entre Portugal e o Canadá, da realizadora Marcy Page, terá estreia mundial na competição oficial de curtas-metragens do festival. Já “Porque Hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães, produção tripartida entre Portugal, França e Espanha, integra a secção competitiva Perspectives, dedicada a propostas autorais e inovadoras. Ambos os filmes propõem uma reflexão sobre a condição feminina e exploram os múltiplos papéis das mulheres ao longo do tempo.

Resultado de uma coprodução entre a Ciclopes Filmes (Portugal) e a Blue Dada Productions (Canadá), “Virgem Fandango” destaca-se pela abordagem estética baseada na utilização de azulejos portugueses pintados à mão como suporte de animação. Ao todo, foram produzidos mais de 12 mil azulejos, posteriormente animados por meio de técnicas de stop-motion.

O filme propõe uma nova leitura de referências históricas e religiosas, centrando-se numa reinterpretação da figura de Maria, mãe de Jesus. Através de uma composição visual que cruza dança, música e referências a cerca de 170 mulheres históricas, a obra constrói um discurso que articula memória, identidade e crítica social.

Marcy Page, aclamada animadora e produtora americano-canadiana, conhecida pelo trabalho no National Film Board of Canada (NFB), onde produziu mais de 60 filmes, conquistou mais de 300 prémios e distinções internacionais para o NFB. Seis receberam nomeações para os Óscares na categoria de Curta-Metragem de Animação, tendo dois deles acabado por ganhar os cobiçados prémios.

“Porque Hoje é Sábado” resulta de uma coprodução entre a Animais – Estúdio de Animação (Portugal), a La Clairière Productions (França) e o Studio Kimchi (Espanha). Após a estreia mundial no Curtas Vila do Conde, em 2025, o filme iniciou um percurso internacional em dezenas de festivais. Alice Eça Guimarães apresenta o retrato intimista do quotidiano de uma mulher que tenta apropriar-se do seu tempo num dia de descanso. A narrativa acompanha o confronto entre o desejo de pausa e a constante interrupção provocada pelas responsabilidades domésticas e familiares.

  • CINEMAX - RTP
  • 25 Mar 2026 17:55

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