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  • Robert Duvall
  • , 1931-2026

16 Fev 2026

Robert Duvall, vencedor de um Óscar e ator versátil que deixou marcas duradouras em inúmeros papéis, desde protagonistas a papéis secundários, como o coronel amante de napalm em “Apocalypse Now”, ou o enigmático Boo Radley em ““, morreu aos 95 anos, informou a esposa numa publicação nas redes sociais.

“Em cada um dos seus muitos papéis, o Bob deu tudo às suas personagens e à verdade do espírito humano que elas representavam”, escreveu Luciana Duvall.

Duvall interpretou figuras de autoridade intensas, como o tenente-coronel Bull Meechum em “A Fúria de Um Herói”, ou o chefe de equipa de Tom Cruise em “Dias de Tempestade”, bem como personagens frágeis, ou decadentes, em “” e ” O Apóstolo”.

Filho de um almirante da Marinha e de uma atriz amadora, Duvall cresceu na cidade de Annapolis, no estado de Maryland. Depois de se formar no Principia College, em Illinois, e de servir no Exército dos EUA, mudou-se para Nova Iorque, onde partilhou casa com Dustin Hoffman e travou amizade com Gene Hackman, quando os três ainda eram estudantes de representação a lutar por oportunidades.

Após várias participações em séries de televisão, Duvall destacou-se mesmo em papéis pequenos, como o seu primeiro papel no cinema, o misterioso recluso Boo Radley, em ““.

Conseguiu o papel por sugestão do argumentista do filme, Horton Foote, que já o conhecia de uma das suas peças. Mais tarde, Foote escreveria ““, o filme de 1983 que valeu a Duvall o Óscar de Melhor Ator, interpretando um cantor country decadente. Ao longo da sua carreira receberia ainda seis nomeações para os prémios da academia norte-americana.

Talvez o seu papel mais memorável tenha sido no épico de Francis Ford Coppola sobre a Guerra do Vietname, “Apocalypse Now” (1979), onde interpretou o excêntrico tenente-coronel Bill Kilgore, obcecado pelo surf.

Apesar de aparecer apenas durante alguns minutos, Duvall quase roubou o filme ao exibir-se num campo de batalha após um ataque bem-sucedido e declarar entusiasticamente: “Adoro o cheiro de napalm pela manhã.” Segundo Kilgore, esse cheiro era “como vitória.”

O papel valeu-lhe uma das suas sete nomeações para os Óscares. Outra foi como Melhor Ator Secundário em “O Padrinho”, também realizado por Coppola, no papel de Tom Hagen, o conselheiro jurídico da família mafiosa Corleone. Duvall também participou na sequela, mas recusou regressar para a terceira parte devido ao salário que considerou inadequado.

No total, participou em quase 100 filmes.

Duvall tinha um talento especial para interpretar cowboys. Ganhou um Emmy pela minissérie “Broken Trail”, contracenou com John Wayne em “” e recebeu outra nomeação para os Emmys pela minissérie “Lonesome Dove”, na qual desempenhou o papel do simpático ex-xerife e vaqueiro Gus McRae — que sempre considerou o seu papel favorito.

“Acho que capturei um homem muito específico que representa algo importante na história do movimento para o Oeste americano”, disse Duvall ao New York Times. “Depois disso, senti que podia reformar-me — que já tinha feito algo que importava.”

Quando se cansou de Hollywood, Duvall começou a fazer os seus próprios filmes. Em 1997, escreveu e realizou “O Apóstolo”, sobre um pregador atormentado.

Repetiu a experiência com “Assassination Tango”, um filme que lhe permitiu expressar a sua paixão pelo tango e pela Argentina, onde conheceu a quarta esposa, Luciana Pedraza. Ambos nasceram a 5 de janeiro, com 41 anos de diferença. Dividiam o tempo entre Los Angeles, a Argentina e uma propriedade de 360 acres (146 hectares) na Virgínia, onde Duvall transformou o celeiro num salão de baile dedicado ao tango.

  • CINEMAX - RTP c/ Reuters
  • 16 Fev 2026 20:24

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